Barroso impede divulgação de vídeo da PF com dinheiro em roupas íntimas de senador

Valor encontrado na cueca do parlamentar era supostamente destinados ao combate à pandemia

Foto: Agência Senado / CP

Na decisão em que determinou o afastamento do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso ordenou que apenas um dos vídeos produzidos na diligência que encontrou R$ 33,1 mil na cueca do parlamentar seja juntado aos autos da investigação sobre desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia de Covid-19, oriundos de emendas parlamentares. A filmagem se refere à primeira revista corporal feita no senador na Operação Desvid-19, após os investigadores suspeitarem do ”grande volume retangular na parte traseira das vestes” do parlamentar. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

No entanto, uma segunda gravação deve ser mantida em ”cofre da própria Polícia Federal, em absoluto sigilo”, segundo a determinação de Barroso. A medida se dá em razão de o registro exibir ”demasiadamente a intimidade do investigado e não produzir acréscimo significativo à investigação”.

A decisão atende pedido da Polícia Federal e se relaciona a uma segunda revista corporal feita no senador. “Num segundo momento, diante do precedente que se apresentava, a equipe realizou novo registro em vídeo do momento em que a autoridade policial, o senador e seu advogado se dirigem a uma sala reservada e lá a autoridade solicita ao senador que retire todas as demais cédulas eventualmente ainda ocultas em seu corpo. Nesse momento, o Senador retira parcialmente sua roupa, deixando à mostra e visíveis ao espectador as partes íntimas do seu corpo e termina a retirada das últimas cédulas de dinheiro”, descreveram os investigadores.

Apreensão

Como mostrou o Estadão, a PF detalhou ao Supremo Tribunal Federal como se deu a busca realizada na casa de Chico Rodrigues em Roraima no âmbito da Desvid-19.

“Ao fazer a busca pessoal no senador Chico Rodrigues, num primeiro momento, foi encontrado no interior de sua cueca, próximo às suas nádegas, maços de dinheiro que totalizaram a quantia de R$ 15.000,00. Já na sala de sua residência, onde se concentravam os trabalhos cartorários dessa equipe policial, o Senador foi indagado se havia consigo mais alguma quantia de valores em espécie. Ao ser indagado pela terceira vez, com bastante raiva, o Senador Chico Rodrigues enfiou a mão em sua cueca, e sacou outros maços de dinheiro, que totalizaram a quantia de R$ 17.900,00. Desta forma, considerando que o Senador Chico Rodrigues, insistentemente, ocultava valores em suas vestes íntimas, esta equipe policial efetuou uma nova busca pessoal, oportunidade em que foram localizados, em sua cueca, a quantia de R$ 250,00”.

A equipe encontrou ainda outros R$ 10 mil e US$ 6 mil em um cofre na casa do senador. A PF considerou que a tentativa do senador de esconder dinheiro na cueca configurou potencial ocorrência do crime de embaraço a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. “Caso o investigado não titularizasse o mandato de Senador da República, dúvida não haveria acerca da sua imediata prisão em flagrante”, registrou a corporação ao pedir a segregação cautelar de Chico a Barroso. O ministro do STF, no entanto, acolheu apenas o pedido de afastamento do parlamentar.