Pesquisa da UFPel indica um contaminado a cada 72 pessoas no RS

Resultados da oitava fase da Epicovid-RS apontaram desaceleração da doença

Pesquisadores da Epicovid-RS. Foto: Daniela Xu/Divulgação

A oitava fase da pesquisa Epicovid-RS, conduzida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), indica que a prevalência da infecção continua crescente no Rio Grande do Sul, mas em ritmo desacelerado. Os resultados dessa etapa do estudo, divulgados nesta quinta-feira, sugerem a existência de um caso de coronavírus confirmado a cada 72 habitantes. Na fase anterior, a prevalência era de um a cada 82.

O epidemiologista e reitor da universidade, Pedro Hallal, ressalta que há uma desaceleração da pandemia. “Não é que o coronavírus está diminuindo, mas está desacelerando”. O pesquisador também destacou que os resultados não refletem mais o total de pessoas que tiveram contato com o vírus, mas sim o número de pessoas que tiveram exposição recente à Covid-19 ou suficientemente grave para que ainda seja detectada através de testes.

O estudo estima que a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 seja de 1,38%, totalizando 156,7 mil habitantes com algum contato com o vírus. Para realizar o levantamento no último final de semana, os pesquisadores conduziram 4,5 mil testes rápidos e entrevistas em nove cidades gaúchas. Desse total, 62 tiveram resultado positivo. Mais uma vez, Canoas liderou os novos diagnósticos positivos, com 19.

Diante dos resultados, a pesquisa sugere a ampliação da testagem RT-PCR e realização de busca ativa por familiares de pessoas que tenham sido contaminadas pela Covid-19. Além disso, os agentes públicos devem prestar atenção especial aos índices de infecção de Canoas e região.

Aulas

Hallal disse que o fato de a epidemia estar em desaceleração não quer dizer que ele “concorde” com a retomada presencial do ensino. O reitor defendeu que o ideal é que es espere uma queda mais consistente em números de contaminações.

O pesquisador ressaltou que as atividades em sala de aula na UFPel serão retomadas somente em 2021. Na rede privada de Educação Infantil, o governo do Estado liberou a retomada das atividades presenciais desde a última terça-feira, nas regiões com vigência de bandeiras amarela e laranja.

“Lembrando que não se trata de uma obrigatoriedade ao retorno às aulas, mas do levantamento pelo governador da suspensão das atividades. Em relação à educação de crianças, os gestores locais, que conhecem suas realidades, podem observar a retomada ou não das aulas”, destacou Leany Lemos, do Comitê de Análise de Dados da Covid.