High Life e Robert Pattinson

O longa é prova de que boas histórias no espaço não precisam de orçamentos estratosféricos

High Life conta com Robert Pattinson e Julliette Binoche. Foto: Divulgação

Após a divulgação nesta semana do trailer do novo Batman, com Robert Pattinson na pele do sombrio personagem dos quadrinhos, a pedida é buscar outros dois filmes recentemente rodados tendo ele como personagem principal. E já adianto que nenhum deles tem qualquer relação com a ação presente nos longas sobre o Homem-Morcego. Um deles é O Farol (2019), uma mistura de terror com suspense, com William Dafoe. Mas a proposta aqui é colocar luz sobre High Life (2019), dirigido pela francesa Claire Denis.

Além de Pattinson, o elenco conta com Juliette Binoche, André Benjamin e Mia Goth. É importante frisar que esse é o primeiro filme da diretora falado em inglês, além de ser sua primeira ficção científica. É relevante alertar ao espectador que o longa tem ritmo lento, como se refletisse o tempo de uma viagem ao espaço e a demora para a chegada dos relatórios dos tripulantes dessa nave à Terra, e o final é aberto. Frisados esses pontos, podemos avançar sobre o roteiro.

Primeiramente, vale dizer que o filme explora aquilo que mais nos fascina no espaço, que é o nosso total desconhecimento. O desconhecido tem poder de atração desde os primórdios da humanidade aos ‘buracos de minhoca‘ e projetos de colonização de Marte. Além disso, a trama reflete uma hipótese que talvez esteja no horizonte de alguns que gostariam de explorar o infinito e o desconhecido, mas entregando a tais projetos vidas que parcela da sociedade acredita que valha pouco: a de pessoas que foram presas e condenadas. 

Assim, em troca da pena, um grupo de presidiários é enviado ao espaço em estudo sobre energias alternativas. Muitas dúvidas surgirão em relação à travessia de um buraco negro e a possibilidade de descoberta de novas formas de vida ou de colonização. Nada disso fica exposto, assim como não ficam óbvias as motivações da médica que está na tripulação, papel de Binoche, ao realizar experimentos de reprodução humana. Nesse longa, também é dela a responsabilidade pela sensualidade presente em outros filmes de Denis.

Não é possível falar muito de High Life sem entregar demais, mas é importante dizer que se trata de um belo filme sobre a condição humana, sobre a efemeridade e, em especial, a respeito do desconhecido e do fascínio que o espaço nos provoca. Sem comparação com grandes clássicos como 2001 e Solaris e, perdão pelo trocadilho, mas o longa é prova de que boas histórias no cinema nem sempre precisam de orçamentos estratosféricos.

Robert Pattinson

Sobre Pattinson, não farei qualquer relação com os filmes adolescentes do passado, mesmo porque muitos dos atores e atrizes hoje conceituados tiveram primeiras chances em filmes de gosto duvidoso. Se ainda não é consenso, logo será: ele tem tudo para ser um dos grandes atores da nova/atual geração. Não necessariamente ícone uma geração hollywoodiana (este conceito já é discutível, mas fica para outro post); High Life, um longa francês, está disponível para demonstrar que existem muitos caminhos no cinema. 

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