Moro evita falar sobre 2022, mas diz querer participar do debate público

Sergio Moro concedeu entrevista exclusiva à Rádio Guaíba teceu críticas ao ex-presidente Lula e ao presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministro

Sergio Moro foi ministro de Bolsonaro por quase um ano e cinco meses | Foto: Marcos Corrêa/PR
Sergio Moro foi ministro de Bolsonaro por quase um ano e cinco meses | Foto: Marcos Corrêa/PR

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro classificou como especulações os comentários sobre sua suposta ida para um partido a fim de concorrer nas eleições de 2022. O ex-juiz responsável por sentenças da Lava Jato é apontado como presidenciável. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Bom Dia da Rádio Guaíba nesta sexta-feira (10). Questionado três vezes se seria candidato, Moro não negou em nenhuma.

O ex-ministro afirmou que diante dos problemas do país neste ano, não pensa ainda em 2022. Mesmo assim, Sergio Moro disse desejar participar do debate público do Brasil. “Eu saí do governo e não posso voltar para a magistratura”, afirmou. “Vou ter que me reinserir, vou ter que me reinventar”, prosseguiu o ex-juiz. “Eu tenho que me preocupar em 2020, em retornar de alguma forma produtiva tanto para mim mas também para o país. O que eu quero, tenho falado e reiterado, quero continuar participando do debate público. Eu acho que tenho com o que contribuir”, projetou Moro.

Lula e Bolsonaro

Sergio Moro também respondeu a críticas que sofre do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista foi condenado pelo ex-juiz em processos da Operação Lava Jato. As sentenças do paranaense foram mantidas por cortes superiores, mas os processos são questionados por especialistas em direito. “O ex-presidente é uma pessoa condenada pela Justiça. Eles tentam trazer isso para uma questão pessoal, mas, como juiz, eu fiz o meu dever. Eu apliquei a lei, considerei as provas”, sustentou.

Sobre o governo Bolsonaro (sem partido), do qual fez parte até abril deste ano, Moro reforçou o argumento dado em sua saída. O ex-ministro criticou o afrouxamento da agenda anticorrupção no país. “Existe um certo arrefecimento no combate à corrupção no Brasil. Estamos vendo progressivos ataques a procuradores, ameaças à autonomia da polícia”, elencou.

PGR e Supremo

Sergio Moro defendeu os procuradores da Lava Jato no embate com a Procuradoria-Geral da República. O comando do Ministério Público Federal solicitou o compartilhamento dos dados das forças-tarefa regionais, pedido que foi atendido pelo Supremo Tribunal Federal. Para o ex-juiz, há uma “inversão de valores” no tratamento da PGR aos investigadores.

O ex-ministro ainda comentou as críticas sofridas pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das Fake News. Sergio Moro não respondeu se considera legal ou ilegal a investigação, mas chamou de “inaceitáveis” ataques a ministros do STF.

Ouça a íntegra da entrevista de Sergio Moro: