Organização Mundial de Saúde Animal pode considerar Estado área livre da aftosa em 2021

Foto: Alina Souza / Especial Palácio Piratini

O secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Covatti Filho, foi o palestrante do Tá na Mesa desta quarta-feira, transmitido via redes sociais da Federasul. A live, mediada pela presidente Simone Leite e pelo vice-presidente Rodrigo Sousa Costa, foi marcada por uma série de boas notícias, apesar da queda de quase 30% na produção total de grãos.

De acordo com dados trazidos por Covatti, a soja (-42%), o feijão (-33%) e o milho em grão (28,4%) foram diretamente impactados pela seca. A desmonetização econômica chega à cifra de R$ 15 bilhões a menos, que corresponde a 8% da receita total do agro. O setor é responsável por compor 40% do PIB gaúcho e tem um índice de irrigação de apenas 2,9%.

Sonho de consumo há décadas pode se tornar realidade: RS Zona Livre de Aftosa. De um rol que exige 18 pontos de aperfeiçoamento, o RS já alcançou 12. O que precisa ser melhorado são no campo técnico, como a contratação de pessoal, ampliação de frota de veículos e demais necessidades administrativas.

Após o atendimento destes seis pontos faltantes, o Ministério da Agricultura confere uma modificação no status sanitário do Estado. A abertura de novos mercados para a proteína animal, após certificação internacional pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) prevista para maio de 2021, autorizará o RS a exportar carne para EUA, China, Canadá, Japão, Coreia do Sul e Chile. “Um rebanho que não precisa receber vacinação cria a possibilidade de agregar mais valor ao produto final”, disse.

O Rio Grande do Sul detém 97% de seu rebanho imunizado, isso representa mais de 12,1 milhões de cabeças bovinas e bubalinas. O vice-presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, perguntou ao secretário como o Estado está se preparando para esse “novo mundo”, visto o risco de bioterrorismo, como a implantação de doenças que afetem o rebanho e, também, culturas como arroz, soja, milho e trigo.

Covatti afirmou que o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal irá reunir protocolos diversos (combate/controle/terrorismo) e será o responsável por integrar ações de defesa junto às Forças Armadas, Forças de Segurança Nacional (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança), ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), além da Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Estadual e demais integrantes do setor.

IRRIGAÇÃO

O cenário da estiagem também foi amplamente discutido. Na visão do secretário”a irrigação é o futuro”, afirmou lembrando que todo o processo de irrigação artificial de lavouras deve ser desburocratizado. Atualmente, segundo dados da Secretaria da Agricultura, apenas 7% das propriedades rurais no RS possui sistema irrigatório. Quando o olhar é sobre o plantio de milho, trigo e soja, a irrigação alcança apenas 2,9% das lavoras dessas culturas.

Comparado com outros Estados, o RS está muito aquém. SP (34%) e MG (25,2%) registram territórios irrigados na casa de 30%. “A falta de linhas de crédito atrativas, o excesso de burocracia e a ineficiência energética do RS, são os principais motivos que impedem o agro gaúcho de inserir essa tecnologia em suas culturas”, disse Covatti.

A presidente da Federasul, Simone Leite, perguntou sobre a edição 2020 da Expointer. Segundo o secretário “no pior dos cenários ela irá acontecer até fim de setembro. Mas acreditamos que essa será a Feira da Retomada”. A data de abertura continua a mesma (29/8 a 06/09), salientando que ”todas as decisões serão em consonância com a Secretaria Estadual da Saúde, o Comitê de Crise-COVID-19 e Entidades representativas”, disse. Em 2019, a Expointer negociou R$ 2,7 bi, reuniu mais de 350 expositores e recebeu 416 mil visitantes durante o período da feira.