Novas regras preveem cloroquina a crianças, grávidas e pacientes leves

Conselho Nacional de Medicina, que liberou a droga em três situações, no fim de abril, não fala mais sobre o assunto

Foto: Ricardo Giusti/Correio do Povo

O novo protocolo do Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19 prevê o uso do medicamento para pacientes com sintomas leves, bem como crianças, gestantes e mulheres que tiveram filhos recentemente. A informação, publicada pelo portal R7, é confirmada por fontes oficiais da pasta sob condição de anonimato.

Além de indicar o público-alvo, o novo protocolo também vai apontar a dosagem apropriada. O documento vai incluir ainda a proposta de combinação da cloroquina e da hidroxicloroquina com outros medicamentos para o combate ao coronavírus.

Nessa segunda-feira, o presidente Bolsonaro já recebeu um esboço do documento do general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde. Para ser publicado, esse protocolo precisa da validação de todos os parâmetros técnicos, tanto para a dosagem como a aplicação da droga.

Respaldo do Conselho Federal de Medicina

O protocolo se baseia na liberação estabelecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 23 de abril. Na ocasião, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, disse, no Saguão do Palácio do Planalto, que “não existe nenhuma evidência científica forte que sustente o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid.”

Ribeiro, porém, disse que “existem estudos observacionais com pouco valor científico, mas importantes”. Baseado nisso o CFM liberou o uso de hidroxicloroquina para os médicos brasileiros em 3 situações:

1) paciente crítico, internado em terapia intensiva já com lesão pulmonar estabelecida com reação inflamatória sistêmica em que todas as evidências sejam de que a hidroxicloroquina não possa ser prejudicial ao paciente. Nesse caso, os médicos podem fazer o chamado uso compassivo (por compaixão). Ou seja, paciente está praticamente fora de possibilidade terapêutica e o médico, com autorização dos familiares, pode utilizar essa droga.

2) paciente chega com sintomas no hospital. Existe um momento de replicação viral e que essa droga pode ser usada pelo médico desde que ele tenha o consentimento do paciente ou dos familiares. Nesse caso, o médico é obrigado a explicar para o paciente que não existe nenhuma evidência de benefício e que a droga pode também ter efeitos colaterais importantes.

3) no início dos sintomas, sintomas leves tipos de uma gripe, no caso o médico pode utilizar também descartando a possibilidade que o paciente seja portador de dengue e das influenzas A e B. A decisão também deve ser compartilhada com o paciente. O médico deve explicar que não existe nenhum benefício provado dessa droga pro uso da Covid, além de detalhar os efeitos colaterais, que apesar de baixos, existem.

Nessa segunda, a Record TV procurou o Conselho Federal de Medicina para voltar a falar sobre a cloroquina e a hidroxicloroquina, mas a entidade informou que não trata mais desse assunto.