RS não vai seguir distanciamento seletivo sugerido pelo Ministério da Saúde, indica governador

Hoje, secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, destacou que ocupação de leitos já chegou a 60% em toda a rede

Governador Eduardo Leite falou de socorro aos estados em entrevista à Rádio Guaíba | Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
Governador Eduardo Leite falou de socorro aos estados em entrevista à Rádio Guaíba | Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Após o anúncio de novas orientações do Ministério da Saúde sobre distanciamento social, o governo gaúcho indicou, hoje, que vai manter as mesmas regras de isolamento e fechamento do comércio. Seguem válidos os decretos de restrição das atividades do setor produtivo, pelo menos até 15 de abril, e suspensas as aulas das redes pública e privada até 30 de abril.

“Esses critérios precisam ser apurados em um sistema de monitoramento bem apurado. Aproveito para deixar um recado aos hospitais: precisamos ter dados mais precisos a respeito de informações em leitos de UTI dos pacientes que são suspeitos ou confirmados de coronavírus”, disse Leite.

O governo federal sugere que os estados com ocupação de leitos de UTI abaixo de 50% estabeleçam o distanciamento seletivo, ou seja, com regras mais brandas que o distanciamento ampliado, defendido pelos governadores.

De acordo com o Ministério da Saúde, ontem, somente os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Amazonas já tinham passado desse percentual. Hoje, a secretária da Saúde, Arita Bergmann, destacou que a ocupação de leitos já chegou a 60% em toda a rede.

Testes restritos a pessoas com sintomas de Covid 

Além disso, ela confirmou que, mesmo com a chegada de testes rápidos e PCR, um tipo que aumenta a confiabilidade do exame, continuarão a ser realizados somente em pessoas que tenham sintomas de Covid-19.

O governo também divulgou ter contratado um laboratório de Pelotas a fim de incrementar, em 250 testes PCR de Covid-19, a capacidade diária do Laboratório Central do Rio Grande do Sul (Lacen-RS), que hoje é de 400 testes, conforme Eduardo Leite.

Além disso, governo firmou um convênio com a Ufrgs para realização de 500 testes em trabalhadores que tenham se afastado do trabalho.

Isolamento flexibilizado

Em Boletim Epidemiológico divulgado ontem, a equipe do Ministério da Saúde cria diferentes formas de isolamento e recomenda regras mais leves para municípios que ainda não estejam com alta ocupação de leitos nas unidades de saúde.

Conforme a nova orientação, a partir de segunda-feira devem haver duas categorias de distanciamento: o ampliado e o seletivo. O ampliado é o que vem sendo adotado pelos estados até o momento. Na nova diretriz da pasta, os municípios e estados em que os casos confirmados não tenham resultado em uma ocupação de leitos maior do que 50% da capacidade do local devem migrar da modalidade ampliada para a seletiva.

O distanciamento seletivo é aquele no qual apenas alguns grupos devem ficar isolados, sendo selecionados os grupos com mais riscos de desenvolver a doença ou aqueles que podem apresentar um quadro mais grave, como idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, cardiopatia etc.) ou condições de risco como obesidade e gestação de risco. Nesse modelo, as pessoas com menos de 60 anos podem circular livremente, desde que não apresentem sintomas da Covid-19.