Após entrega de pacote na Assembleia, professores discutem greve na Praça da Matriz

Diversas categorias vão se reunir em ato na tarde desta quinta-feira

Segundo o Cpers, metade das escolas foram afetadas pelo movimento grevista. Foto: Cpers / Divulgação

Depois de o Piratini ter protocolado, na Assembleia, o pacote de reestruturação do funcionalismo apresentado, mais cedo, pelo governador Eduardo Leite, uma assembleia geral do Cpers Sindicato discute a articulação de uma greve na rede pública de ensino, na manhã desta quinta-feira.

O encontro, que também debate o impacto, para o magistério, das medidas previstas no pacote, ocorre a partir das 9h30min, na Praça da Matriz. A tendência é de que o movimento grevista comece na segunda-feira. Diante das modificações propostas pelas medidas reestruturantes, o protesto é o caminho, segundo a primeira vice-presidente do Cpers Sindicato, Solange Carvalho.

“Nosso salário é tão baixo que qualquer retirada de direito é perda significativa. O STF já reconheceu que temos que receber o piso. No plano do governo, o piso do Magistério é o teto da carreira. Além disso, hoje, em progressões, podemos ter aumento de 200% ao longo da carreira. Com a proposta do governo, isso passa para 52%. Ou seja, se qualificar, fazer mestrado e doutorado fica sem nenhum valor”, ressalta.

Outras categorias reagem às medidas propostas pelo Piratini. Nesta quinta-feira, policiais civis fazem o segundo e último dia de paralisação, em todo o Rio Grande do Sul. O protesto é considerado exitoso pela Ugeirm Sindicato. Apenas casos graves foram atendidos e nenhuma operação deflagrada durante o dia.

Amanhã à tarde, diversas categorias devem se reunir em protesto em frente à Assembleia Legislativa. Um manifesto foi elaborado pelo Movimento Unificado RS – que reúne cerca de 20 entidades sindicais – em oposição aos projetos para o funcionalismo e Previdência. A carta foi entregue a parlamentares na tarde de hoje.

O movimento garante ter números e dados técnicos fornecidos pelo Sindifisco e Afocefe/Sindicato que garantem medidas viáveis para que o Estado recupere arrecadação. “Mostramos que existem opções, mas o governador opta apenas por diminuir salários, cortar gastos, reorganizar carreiras de forma a sucatear o serviço público. O que houve foi um falso diálogo com as categorias, pois na verdade ele praticamente manteve o que já tinha definido. Mas vamos à luta. Acreditamos que os deputados serão sensíveis ao apelo dos servidores”, disse Sérgio Arnoud, presidente da Fessergs.

Pacote

Caso as oito medidas sejam aprovadas – são seis projetos de lei, um projeto de lei complementar e uma Proposta de Emenda à Constituição – a economia prevista nos próximos 10 anos é de R$ 25,4 bilhões. A maioria dos textos foi encaminhada com regime de urgência, exceto a PEC, em função da legislação.

Ao apresentar as mudanças, Leite reconheceu que elas “não são simpáticas”, mas defendeu que são necessárias. Ele citou a alteração das alíquotas da previdência e da base de cálculo como as que talvez tenham maior resistência e defendeu que “expectativa de direito não é direito adquirido”.