Deputados reagem de formas distintas a citação em pesquisa para a Prefeitura de Porto Alegre

Em um dos cenários, 14 nomes foram elencados, seis deles integrantes do Parlamento estadual

Foto: Joel Vargas / PMPA / CP

Com foco na aprovação de projetos de reestruturação administrativa e previdenciária, o governo estadual corre contra o tempo para que a Assembleia vote as alterações até o fim do ano. O objetivo é evitar que os debates se estendam a 2020, invadindo o ano eleitoral. Embora a atual legislatura não tenha fechado sequer 12 meses, quase 1/3 dos 55 deputados é cotado a disputar as eleições a prefeito, no ano que vem.

A disputa mais acirrada envolve a Prefeitura de Porto Alegre. Nessa terça-feira, pesquisa do Instituto Methodus mostrou o cenário de intenção de voto na cidade. A um ano do pleito, na menção espontânea, 72% dos entrevistados disseram ainda não ter candidato. Em uma das pesquisas estimuladas, a ex-deputada e ex-candidata a vice-presidente Manuela D’Ávila (PCdoB) lidera as intenções de voto, com 17%, seguida do deputado estadual Sebastião Melo (MDB) com 11% e do prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB), com 9%. Em outro cenário, o Methodus mediu os índices de rejeição. Os eleitores também puderam citar nomes de forma espontânea e avaliar a atual administração.

Na pesquisa estimulada, foram elencados 14 nomes, seis deles com mandato eletivo na Assembleia. Ao consultar os parlamentares que podem disputar a Prefeitura, a reportagem verificou que todos saudaram a menção, mas reagiram de formas distintas ao resultado do levantamento.

Melo

Dentre os deputados, Sebastião Melo lidera a preferência do eleitorado, com 11%. Melo disse acreditar que as peças do tabuleiro ainda possam ser bastante alteradas até 2020. Ele defendeu que o MDB deixe o governo para pavimentar uma candidatura e destacou a virtude conciliadora, que transita da esquerda para direita, passando pelo centro. “Primeiro eu recebi com humildade os números da pesquisa. Mas penso que é um reconhecimento do trabalho que eu faço aqui, desde quando cheguei, como militante social da cidade, vereador, vice-prefeito e hoje deputado. Em uma segunda questão, uma pesquisa sempre reflete uma fotografia daquele momento. Assim, muitos candidatos que são citados podem, amanhã, não serem candidatos”, pontuou. Em caso de eleição para a Prefeitura, Melo abre vaga para o primeiro suplente Carlos Burigo (MDB), que já exerce mandato no Legislativo. Com isso, a segunda suplente, Patricia Alba, assume.

Luciana

Com 6% das intenções dos voto, Luciana Genro (PSol) ressaltou que ainda não teve o nome confirmado para a disputa na Capital e defendeu, novamente, uma frente ampla de esquerda. “Eu vejo como positiva a pesquisa no sentido de que ela mostra que a oposição ao governo Marchezan está muito forte. Além disso, o governo, apesar de toda exposição na mídia, por ser governo, está fraco e sem respaldo da maioria da população. Esse governo é muito ruim e precisa ser derrotado nas próximas eleições”, considerou. Caso Luciana Genro se eleja, Pedro Ruas (PSol) assume a cadeira dela na Assembleia.

Juliana

Depois de concorrer como vice de Sebastião Melo, Juliana Brizola (PDT) conta agora com respaldo do partido para disputar o pleito como cabeça de chapa. A possibilidade levou a trabalhista a computar 4% na pesquisa divulgada. “Eu faço uma avaliação extremamente positiva para o PDT, pois nós ainda não lançamos a candidatura. É algo embrionário, inclusive. O partido ainda está discutindo. Mas, de todos os nomes colocados, talvez eu seja a melhor pontuada que ainda não foi candidata à Prefeitura”, enfatizou. Em caso de vitória, Juliana abre vaga para Airton Artus (PDT) na Assembleia.

Any

Convicta de que entra no páreo para o comando do Executivo em 2020, Any Ortiz (Cidadania) também comemorou a primeira amostra junto ao eleitorado. “Achei muito positivo o resultado. Principalmente porque já apareci na primeira pesquisa com 3%, que é um número importante e por estar lado a lado de pessoas que já participaram de eleições majoritárias em Porto Alegre. Foi a primeira vez que vi meu nome numa pesquisa, mostrando um cenário bem positivo”, acrescentou. Caso Any Ortiz seja eleita, a cadeira passa a ser preenchida pelo atual secretário estadual da Educação, Faisal Karam (PSDB). Caso ele opte por continuar no Executivo, a vaga fica com o segundo suplente da coligação: Adilson Troca (PSDB).

Duarte

Já o deputado Dr. Thiago Duarte (DEM), que aparece com 3% dos votos, questionou se houve coleta de dados também na zona Sul de Porto Alegre, onde estima obter número expressivo de apoiadores. “Os números são um reflexo do momento. Acho que é uma pesquisa ainda bastante refratária, porque aquelas pessoas com nome mais conhecido acabam sendo mais lembradas. Mas eu, com 20 mil votos em Porto Alegre, não ter nada na espontânea, acho que não procede. Acho que a população do Extremo Sul, pelo menos, ainda não foi ouvida. Mas é uma pesquisa animadora para mim devido à baixa rejeição”, ressaltou. Em caso de eleição, Thiago Duarte abre vaga para Rodrigo Lorenzoni (DEM), que já exerce mandato no Parlamento. Assim, o segundo suplente – no caso, o atual vereador Cláudio Conceição (DEM) – ganha chance de se tornar deputado.

Ostermann

Fábio Ostermann (Novo), que também aparece com 3%, garante que não vai disputar o Paço Municipal, embora tenha se mostrado feliz em ser lembrado pelos eleitores. “Uma pesquisa realizada a um ano do pleito reflete, muito mais, o cenário atual do que obviamente o cenário que estará se concretizando daqui a um ano. Eu não sou candidato e não serei candidato à Prefeitura de Porto Alegre. Dentro do Novo, temos uma perspectiva diferente: a de que o mandatário eleito deve cumprir seu mandato até o final”, disse.