Manuela D’Ávila revela que hacker pediu para ela publicar matérias, e não Greenwald

Para ex-deputada, mensagens mostraram que autoridades praticaram e seguem cometendo crimes no País

Manuela D’Ávila lidera cenários estimulados e espontâneos
Manuela D’Ávila. Foto: Pâmela Morales

Pela primeira vez, a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) quebrou o silêncio e revelou os bastidores da intermediação entre o hacker Walter Delgatti Neto e o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, que resultou na série de reportagens que colocou em xeque a atuação de procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Na tarde de hoje, em entrevista para o Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Manuela disse que após a invasão do celular, o hacker pediu a ela a publicação do teor das mensagens. De acordo com a ex-deputada, Delgatti não tinha a intenção inicial de repassar o material diretamente ao jornalista norte-americano.

“Eu sou jornalista, recebi uma informação e tive humildade de dizer que existia um jornalista melhor do que eu para receber as informações. Não quis trabalhar com elas, justamente por eu também ser política. Imaginei que poderia afetar a credibilidade das informações, que são seríssimas, de crimes praticados por autoridades brasileiras”, revelou.

Pela trajetória e credibilidade jornalística de Greenwald, Manuela disse ter repassado ao hacker o contato do editor do The Intercept. Candidata à vice-presidência em 2018, a ex-deputada explicou que tinha o número do jornalista em função de uma entrevista concedida a ele durante a campanha. Além disso, ressaltou que desde a intermediação entre os dois, Greenwald levou mais de 20 dias para divulgar a primeira reportagem da chamada Vaza Jato.

Manuela disse entender que, “como cidadã e jornalista”, tomou a decisão correta, em função do teor das mensagens. Para a ex-deputada, a polêmica em torno da prática de crime virtual ganhou as manchetes para não se aprofundem as investigações em torno do que realmente importa, que é o conteúdo obtido. “O foco central são as denúncias horrendas e os crimes cometidos pelas altas autoridades brasileiras, que cometem e continuam comentando crimes”, disparou.

“Hoje, se sabe que o super ministro chamado ‘Posto Ipiranga’, Paulo Guedes, não foi autuado por ser queridinho de Bolsonaro”, emendou Manuela, sobre reportagem que revela que a Lava Jato ignorou um repasse de Paulo Guedes em denúncia contra uma empresa de fachada. “O que acontece com essas mensagens vazadas são crimes, cometidos por autoridades de outra esfera do Estado brasileiro, uma delas, inclusive, chefe do Ministério da Justiça, Sérgio Moro, chefe do conjunto da Polícia Federal”, advertiu.

Ainda sobre as investigações do caso, Manuela reforçou, mais uma vez, ter se colocado à disposição para elucidar o ocorrido. “O delegado que conduz essa investigação está tendo uma postura adequada comigo. Eu fui vítima de uma invasão e estou totalmente disposta a contribuir”, finalizou.