Com menos de 10% de ciclovias previstas em Plano Diretor, Porto Alegre vai instalar 3,6 km em 2019

Manutenção também é um desafio para a EPTC

Foto: Alina Souza/CP

O Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, que prevê 395 km de faixas exclusivas, ciclofaixas ou ciclovias, completou dez anos, nesta segunda-feira. Segundo a Prefeitura, a cidade conta com 48 km – menos de 10% do projetado. Com problemas na manutenção, a expectativa é de conseguir implementar mais 3,6 km até o final de 2019.

Alvo de críticas devido à descontinuidade, a obra da avenida Ipiranga, uma das primeiras a receber ciclovia no município, vai ganhar mais 1,7 km, entre a Lucas de Oliveira e a Salvador França, ainda neste ano. Além disso, um trecho de 400 metros deve ser finalizado na Nilo Peçanha com recursos próprios da Prefeitura. Um quilômetro da obra recebeu recursos do CAF (Cooperação Andina de Fomento) após o asfaltamento na mesma avenida, e um trecho é realizado pela Vonpar como contrapartida por obras que receberam licença do município.

Alessandra Both, coordenadora de Projetos de Mobilidade Sustentável da EPTC, explica que a descontinuidade se deu porque, na época da elaboração do Plano Cicloviário, previa-se mais obras do setor privado na cidade, que acabaram represadas pela crise. “Quando havia possibilidade de fazer uma obra, aproveitávamos para estabelecer a ciclovia onde era mais necessário, de acordo com o Plano Diretor Cicloviário”, resume.

A estratégia para tentar acelerar a instalação das faixas para ciclistas, a partir de 2020, é a submissão de projeto ao programa Avançar Cidades, do Ministério das Cidades. Propostas da Prefeitura, prevendo implementação de 25 km de ciclovias na cidade, já foram entregues ao governo federal, mas ainda não tiveram resposta.

A manutenção também é um desafio para a EPTC. Para garantir pintura e reparação de sinalização e divisórias, o custo é de R$ 3 milhões por ano. Alessandra garante que o processo está sendo retomado, após dois anos de abandono.

O vereador e cicloativista Marcelo Sgarbossa critica as estratégias do Poder Executivo quanto ao modal. Antes de a Prefeitura derrubar a medida na Câmara, a legislação municipal previa o investimento de 20% das multas de trânsito na manutenção e ampliação das ciclofaixas, sem gasto para o município. “É falta de vontade política”, sustenta.