Carris pretende zerar déficit até o fim de 2020, revela diretora-presidente

Helen Machado confirmou intenção da estatal de substituir 25% dos 347 carros hoje em circulação

Foto: Divulgação / PMPA

Com prejuízo de R$ 19 milhões no ano passado e déficit acumulado de R$ 289 milhões, a direção da Carris pretende zerar os saldos negativos anuais até o fim de 2020. Conforme a diretora-presidente da empresa, Helen Machado, a proposta inicial era zerar antes, mas a companhia está em processo de aquisição de ônibus para a frota. A intenção da Carris é substituir 25% dos 347 carros hoje em circulação. O valor do investimento é de R$ 40 milhões.

A média de gasto com manutenção de cada ônibus ficou em cerca de R$ 163 mil, no ano passado. “O custo de uma frota que tenha cinco anos é o mesmo de cinco novos veículos”, salientou Helen Machado, em entrevista ao Guaíba News desta quinta-feira. A negociação com três bancos para obter o financiamento para a compra dos ônibus segue em andamento.

Medidas como o corte de gastos com pessoal e capacitação dos funcionários, além de suspensão de benefícios, como a participação nos resultados, vêm sendo aplicadas desde 2016. “Quando chegamos, a empresa não tinha um plano orçamentário. A partir daí buscamos as contas que comprometiam as despesas”, ressaltou. Mais de 65% da arrecadação era comprometida com a folha de pagamento.

Em relação à diminuição do número de passageiros no transporte coletivo, a Carris já acumula redução de 8% em 2019. A EPTC desenvolve um estudo sobre rotas e a quantidade de passageiros em cada fase do dia. Conforme a diretora-presidente da Carris, somente em horários de pico há rotas lucrativas, citando a T11, a T7 e a T4.

De acordo com um balanço divulgado nesta semana, a Carris teve déficit de R$ 233 milhões ao longo de seis anos até 2016. “Me questiono como ninguém dentro da empresa viu ou cobrou isso”, ressalta. O demonstrativo do resultado do exercício da companhia registra que o déficit caiu, chegando a R$ 19 milhões em 2018.

Um dos fatores, de acordo com Helen, é a diminuição das gratuidades no transporte coletivo. Já o lucro bruto apresentou saldo positivo de R$ 11,9 milhões, no ano passado, em contraponto aos R$ 8, 2 milhões de 2017 e aos R$ 17,1 milhões de 2016.

Outro ponto positivo ressaltado pela equipe é a diminuição dos aportes da Prefeitura para a Carris, que foram de R$ 55 milhões em 2016, R$ 48,7 milhões em 2017 e R$ 19 milhões em 2018, o que representa uma redução de 65,4%. O custo com o pagamento de financiamentos diminuiu de R$ 44 milhões para R$ 18 milhões. Entretanto, a empresa ainda encontra limitações no acesso ao crédito, o que dificulta a renovação da frota.