Greenwald reitera autenticidade de material divulgado pelo The Intercept

Jornalista falou sobre o assunto em audiência pública na Câmara

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, editor do site jornalístico The Intercept Brasil, reiterou hoje a autenticidade do material recebido de uma fonte anônima com supostas mensagens entre o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e membros da força-tarefa da Lava Jato entre os anos de 2015 e 2018.

Desde o início do mês, o The Intercept vem divulgando trechos de supostas conversas entre Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato quando o ministro ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, onde é julgada parte dos processos da Lava Jato.

Moro sustenta que as mensagens veiculadas pela imprensa foram tiradas de contexto e podem ter sido adulteradas antes da divulgação. Moro informou ter usado o aplicativo de mensagens Telegram para “agilizar” os contatos com procuradores da força-tarefa da Lava Jato necessários à execução de procedimentos legais e que conversas não envolvem nenhuma ilegalidade, tendo sido obtidas “criminosamente” por hackers que interceptaram as comunicações de autoridades.

Segundo Glenn Greenwald, o ministro não apontou até o momento qualquer material específico publicado em que possa ter ocorrido adulteração.

O The Intercept garante ter recebido de uma fonte anônima um imenso arquivo contendo mensagens em texto e áudio. A equipe de jornalistas do site garante ter apurado a veracidade das informações.

Para o veículo, o material deixa claro que Moro infringiu o código da magistratura ao ajudar os procuradores da República a instruírem o processo penal, sugerindo a ordem de deflagração de operações policiais da Lava Jato e indicando testemunhas a serem ouvidas pela acusação. O site reiterou que não vai revelar a origem das mensagens. A Constituição Federal reserva a todo jornalista o direito de não revelar as fontes de informações.

Ontem, o ministro Sergio Moro anunciou que, devido à viagem aos Estados Unidos, não tinha como comparecer à audiência pública que as comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados tinham marcado para esta quarta-feira.

O convite a Moro tinha o objetivo de obter esclarecimentos sobre as notícias que vêm sendo publicadas pelo site The Intercept Brasil, em parceria com outros veículos de imprensa.

Na semana passada, Moro passou mais de oito horas falando sobre o assunto aos membros da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O ministro disse várias vezes que não se recorda das mensagens, colocando em dúvida a autenticidade delas. Ele disse ainda não ter apego ao cargo e que, se que houver qualquer irregularidade comprovada, deixa a função.