Relatos do Front

Documentário traz a narrativa da violência urbana no combate ao tráfico de drogas

Divulgação

O documentário dirigido por Renato Martins chega em momento propício aos cinemas e ajuda o espectador a compreender o Brasil atual. Focado no Rio de Janeiro, serve como alerta para o país inteiro diante da violência urbana e das estratégias de combate ao tráfico de drogas.

Intercalando entrevistas de vítimas da insegurança urbana – em especial, nos morros da cidade -, policiais, ex-traficantes, ex-presidiários, juízes e especialistas em Segurança Pública, o longa foge de uma narrativa monótona documentarista. Ao contrário, os relatos prendem o espectador e mostram que armar a população – proposta do atual governo em termos de flexibilização de porte e posse – dificilmente seria uma solução contra a criminalidade.

Ao mesmo tempo, com dados relevantes e depoimentos embasados, o filme apresenta uma narrativa crítica à “guerra às drogas”. Mostra-se em Relatos do Front, não somente informações sobre o extermínio da população jovem e negra no combate aos entorpecentes, mas dos policiais.

“Nós [policiais] não somos cachorros, não somos capitães do mato. Mas é o que muitas vezes parece, não é? Estamos correndo atrás dos negros fujões nos quilombos contemporâneos, que são as nossas favelas”, diz o ex-policial Beto Chaves, um dos entrevistados.

Os depoimentos de mães, cujos filhos foram vítimas de policiais, são comoventes, mesmo que esse seja um recurso esperado pelo espectador diante desse tipo de documentário. Reforça ainda o triste relato de massacre, as falas de mães de policiais que também morreram nessa que não deixa de ser uma guerra civil.

Em Porto Alegre, o documentário está em cartaz no Cinebancários (R. General Câmara, 424), às 15h e 19h.