Após vazamento de mensagens entre Moro e procurador, chefe do MP gaúcho defende investigação

Dallazen disse, no entanto, que não percebe erros capazes de invalidar processos decorrentes da Operação Lava Jato

Dallazen foi reconduzido ao cargo de procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul. Foto: Guilherme Testa/CP

O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen, reconduzido ao cargo na semana passada, se manifestou a respeito da série de reportagens publicadas ontem pelo site The Intercept Brasil. Em entrevista ao programa Guaíba News, nesta segunda-feira, o procurador disse que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem investigar o caso, mas que é necessário cautela no momento.

“Se confirmados, os relatos são suficientes para abrir investigação pelos órgãos competentes. A consequência processual, no entanto, vai depender do conhecimento completo do conteúdo. Tudo depende de em quais consequências as indicações [de Moro a Dallagnol] teriam acontecido”, sustentou. Hoje, quatro procuradores entregaram um requerimento ao CNMP solicitando investigação da conduta de Dallagnol.

Dallazen disse, no entanto, que não surgiram até o momento erros capazes, na opinião dele, de invalidar os processos da Operação Lava Jato. “O conteúdo divulgado não demonstra elementos suficientes para modificar processos ou condenações já aplicadas”, avaliou. O procurador-geral destacou que a análise pode ser modificada caso outros elementos ainda surjam.

OAB recomenda afastamento de Moro e Dallagnol 

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendou, após reunião do Conselho Federal e do Colégio de Presidentes de Seccionais, nesta segunda-feira, o afastamento temporário das funções do ministro da Justiça, Sergio Moro, do coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Em nota, a instituição sustenta que é necessário prudência em relação aos vazamentos, mas que “não se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos, o que demanda investigação plena, imparcial e isenta”. O texto aprovado por unanimidade ainda ressalta que “este quadro recomenda que os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos que ocupam, especialmente para que as investigações corram sem qualquer suspeita”.

As reportagens publicadas ontem pelo site The Intercept sugerem que o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, pode ter orientado as investigações da Lava Jato em Curitiba por meio de mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

Nas conversas, ao longo de dois anos, Moro sugere que o procurador troque a ordem de fases da Lava Jato, dá conselhos e pistas informais de investigação e antecipa uma decisão dada por ele na sequência, além de criticar recursos e aconselhar o Ministério Público a como agir.

O Ministério Público Federal no Paraná informou, através de nota, que houve vazamento de mensagens de procuradores após um ataque hacker. Segundo o órgão, não há ilegalidade nas mensagens, mas o caso põe em risco a segurança dos procuradores.