Justiça Militar ouve depoimentos em caso de execução de músico no Rio

Soldados do Exército dispararam mais de 200 tiros contra veículo da família da vítima, em 7 de abril

Foto: Reprodução/Facebook

A Justiça Militar ouviu hoje oito testemunhas de acusação sobre a morte do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo, baleados durante operação envolvendo soldados do Exército, em 7 de abril, no bairro de Guadalupe, na Vila Militar, zona norte do Rio de Janeiro. Doze militares foram denunciados e nove seguem na prisão.

Evaldo seguia, com a família, para um chá de bebê, quando se deparou, por volta das 14h30min, com uma patrulha do Exército. Os militares dispararam mais de 200 tiros contra o veículo. O músico morreu e o sogro dele, Sérgio Gonçalves, ficou ferido. Também baleado catador Luciano, que percorria o local, morreu dias depois, já internado. Os demais ocupantes do carro – a esposa de Evaldo, Luciana dos Santos, o filho de 7 anos e a amiga do casal, Michele da Silva Leite – não sofreram lesões.

Em depoimento, Sérgio, Luciana e Michele deram a mesma versão. A mulher de Evaldo pediu, antes de depor, a retirada dos militares da sala, o que a juíza do caso, Mariana Aquino Campos, acatou.

O advogado assistente da acusação, André Perecmanis, espera a responsabilização dos militares. A manutenção da prisão vai ser decidida na quinta-feira, pelo Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília. “É importante que todas as testemunhas sejam ouvidas e no futuro, quem sabe, se o juízo entender que eles podem responder em liberdade, aí a gente verifica”, disse Perecmanis.

Para o advogado de defesa dos militares, Paulo Henrique Pinto de Melo, é preciso aguardar o desenrolar do processo. “Ninguém aqui demonstrou que os militares são executores, são assassinos. Eles agiram em legítima defesa de terceiros”, argumentou.

Também depuseram a esposa de Luciano, Daiane Horrara, um homem que teve o carro roubado, semelhante ao das vítimas, na ocorrência de mais cedo, e moradores de um prédio que fica em frente ao local onde o fato aconteceu.

Na próxima semana, serão ouvidas testemunhas de defesa dos militares. Depois, eles serão interrogados individualmente.