Mesmo com cortes, reitor da Ufrgs descarta risco de suspensão de atividades

Rui Oppermann disse hoje que "há uma história acadêmica a defender"

Foto: Samantha Klein

Uma reunião do Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) discutiu hoje o quadro de cortes na instituição de ensino superior. Apesar do contingenciamento de verbas implementado pelo Ministério da Educação, o reitor da Universidade disse que não existe a menor possibilidade de suspensão do ano letivo. 

Rui Vicente Oppermann enfatizou que, mesmo com as atuais dificuldades, as aulas serão priorizadas, assim como a assistência estudantil. “Seria uma irresponsabilidade com os milhares de alunos que temos. Poderemos sofrer, seja com a falta de projetores, de papel higiênico e tantas outras coisas, mas isso não pode ser argumento. Não vamos fazer a mesma coisa que estão fazendo com a gente: ‘só libera se sair a reforma da Previdência’”, declarou. 

O reitor complementou dizendo que há uma história acadêmica a defender. “Não somos um partido político, temos uma história acadêmica de ensino, pesquisa e extensão para defender”. 

Com o decreto 9.741 do governo federal, foram bloqueados pelo Ministério da Educação 30% dos créditos de custeio. Com isso, do orçamento de R$ 166 milhões, foram bloqueados R$ 50 milhões. Além disso, da verba de investimento, o MEC bloqueou R$ 5,3 milhões.

Conforme a Pró-Reitoria de Planejamento, o déficit de custeio em vai atingir R$ 29 milhões, ainda em 2019, mesmo com as ações para reduções custos e remanejamento. “Neste mês já estamos com a luz em atraso. O que nos preocupa também é que com a Emenda Constitucional 95 (Teto dos Gastos), isso vem num crescente”, ressalta o pró-reitor Hélio Henkin.

Apesar do governo federal ter informado que não há bloqueio em verbas para assistência estudantil, a Universidade relata falta de recursos em outras áreas. Em termos de auxílio estudantil, não há sinalização para a retomada da liberação de verbas para a concessão de bolsas de auxílio para indígenas e quilombolas, por exemplo.

A pró-reitora de assistência estudantil da Ufrgs, Suzy Alves Camey, lembra que a Universidade mudou. Se nos anos 1990 e início dos 2000 havia falta de materiais básicos e de ensino, as famílias dos alunos, à época, podiam dar suporte. Na atualidade, o cenário é diferente. “Hoje, os alunos são mais diversos e nem todos podem trazer o papel higiênico. Antes, os alunos da Odontologia podiam custear os materiais, agora não podem mais”, sustenta.