Mourão vê exploração política em protestos contra o governo

Presidente em exercício afirmou que contingenciamento é feito todos os anos e disse que tom incisivo de Bolsonaro foi o que o elegeu, no ano passado

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, disse não ter a “mínima dúvida de que houve “exploração política” das manifestações desta quarta-feira, contra o bloqueio de recursos da educação. Segundo ele, o contingenciamento é feito todos os anos e as milhares de pessoas que foram às ruas hoje aproveitaram para protestar contra o governo.

Mais cedo, Mourão classificou os protestos como algo “normal” e “parte do sistema democrático”. Já o presidente Jair Bolsonaro, em declarações nos Estados Unidos, chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra”.

Ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro em relação aos manifestantes, Mourão concordou. Ele disse que a forma “mais incisiva” de se manifestar do presidente foi justamente o que o elegeu, no ano passado.

“O presidente colocou que contingenciamento existe todos os anos, em outros anos não houve manifestações desta natureza, então é obvio que houve uma exploração política nessa manifestação de hoje (…) E foi isso que ele quis dizer”, disse Mourão a jornalistas.

Questionado se o tamanho dos protestos surpreendeu o governo, Mourão negou. Para ele, as manifestações foram “normais” para a capacidade de “arregimentação” das organizações que o promoveram.

Sobre a possibilidade de Bolsonaro recuar sobre o contingenciamento, Mourão disse que ele não pode, mesmo que queira. “Ele não pode mudar (…) Nós não estamos arrecadando, temos que entender que o orçamento foi feito ano passado, não foi feito pela gente. Ele tinha determinadas expectativas de arrecadação que não estão sendo atingidas”, explicou. E citou como exemplo o aumento do Judiciário e a expectativa frustrada de privatizar a Eletrobras.

Mourão também voltou a dizer que o governo não soube comunicar o contingenciamento de maneira correta, e que houve bloqueios em outras áreas, inclusive nas Forças Armadas, esse último, segundo ele, “pesadíssimo”.

“Nós, governo, não soubemos comunicar isso. Então ficou o tempo todo colocado como corte e aquele número cabalístico de 30%, quando todos os ministérios com grande número de gastos e um orçamento elevado sofreram um bloqueio consistente.”

Mourão voltou a negar que as universidades tenham sofrido cortes. “Isso é contingenciamento, o que acontece. Eu tenho que me programar, selecionar quais são minhas despesas principais, colocar minha prioridade naquilo ali e retardar minhas despesas secundárias para o segundo semestre do ano, ou até o último trimestre, quando normalmente esses recursos são desbloqueados”, acrescentou.