Corte já atinge 212 bolsas de pesquisa no RS; para pró-Reitor da Ufrgs, “Ciência perde”

Só a Ufrgs sofreu 133 cortes durante o processo de substituição do aluno beneficiado

Foto: Gustavo Diehl/Jornal da UFRGS/Divulgação

Universidades federais seguem contabilizando o prejuízo gerado à pesquisa e à manutenção de pós-graduandos a partir do bloqueio de bolsas anunciado, nesta semana, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação. A justificativa da Capes para o bloqueio é a ociosidade dos benefícios, o que é contestado pelas instituições. Até o momento, cinco universidades federais do Rio Grande do Sul dizem ter sofrido cortes em 212 bolsas de pós-graduação. O total ainda não leva em conta os dados de duas instituições: a Unipampa e a Universidade da Fronteira Sul (UFFS).

O pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rafael Roessler, negou que as bolsas estejam ociosas – mas, sim, aguardando um novo bolsista após o fim do período de concessão a um pesquisador que já completou a pós-graduação. “Quando um aluno encerra sua tese ou dissertação, existe um pequeno espaço de tempo até que um novo aluno assuma a bolsa. Isso leva algo como um mês, no máximo. Estávamos em processo de seleção de novos bolsistas”, esclarece.

Com o corte, a produção científica vai ser diretamente afetada, adverte Roessler. O professor considera que a Ciência do país, como um todo, perde. “Os bolsistas não são só estudantes, são pessoas responsáveis por tocar o dia-a-dia dos grupos de pesquisa, em todas as áreas. Os pesquisadores bolsistas não estão apenas estudando e se titulando, mas estão criando conhecimento inédito, e esse conhecimento inédito é a atividade de pesquisa produzida pelo país, que se torna não somente publicação científica, mas subsídio para novas tecnologias ou empresas de base tecnológica. Temos várias empresas que criaram bases com tecnologia daqui”, argumenta.

A Ufrgs mantém mais de 80 programas de mestrado e doutorado, correspondendo à metade da produção científica do Rio Grande do Sul. No caso da instituição, o bloqueio atinge, até o momento, 133 bolsas – 45 de mestrado, 80 de doutorado e de oito pós-doutorado.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), já foram cortadas três bolsas de mestrado, dez de doutorado, quatro de pós-doutorado e duas do Proex (Programa de Excelência Acadêmica da Capes), totalizando 19. Entre as dez de doutorado, quatro envolvem estudantes em doutorado-sanduíche, fora do País. Esses alunos não são pagos durante o período de pesquisa no exterior. Por isso, a bolsa aparece no sistema como ociosa.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), houve bloqueio de três bolsas de mestrado. A Universidade tinha 78 bolsas dessa modalidade. A Universidade Federal de Santa Maria identificou corte de mais 22.

Na Furg, de acordo com a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), 35 bolsas não estão mais disponíveis. São cortes em 26 bolsas de mestrado e nove de doutorado. Embora diversos cursos tenham sido afetados, 60% do corte atinge programas de pós-graduação com notas 6 ou 7 (máxima) inseridos no Programa de Excelência Acadêmica (Proex) da Capes, como os programas de Pós-Graduação em Oceanografia Biológica, em Aquicultura e em Oceanologia.

Durante a quinta-feira, a Capes emitiu nota oficial. Confira:

“Os sistemas de concessão de bolsas da CAPES são fechados todos os meses para a geração das folhas de pagamento e reabertos no início de cada mês. Em maio, o sistema permaneceu fechado para ajuste da concessão de bolsas _ recolhimento de bolsas que estavam à disposição das Instituições mas que não estavam sendo utilizadas no mês de abril de 2019 (bolsas ociosas, ou não utilizadas). Assim, nenhum bolsista já cadastrado nos sistemas de concessão foi retirado. Ainda não temos o número exato das bolsas ociosas recolhidas”.