Entidades culturais defendem que Estátua do Laçador permaneça na zona Norte

Questão não encerra, necessariamente, a possibilidade de deslocamento para outra área da cidade

Foto: Guilherme Almeida/CP

Em consulta a diversas entidades do Rio Grande do Sul, o setor cultural entende que a Estátua do Laçador não deve mudar de lugar. Associações artísticas, incluindo a dos escultores, o Instituto dos Arquitetos (IAB) e o Iphan entendem que o símbolo não precisa ir para outro espaço da cidade, mas deve ganhar mais acessibilidade. A questão não encerra, necessariamente, a possibilidade de deslocamento para outra área da cidade. No ano passado, chegou a ser levantada a hipótese de mudança da estátua para a orla do Guaíba.

“Todo mundo concorda que, do jeito que está, não pode ficar. O setor artístico entende que é necessário muito investimento para melhorar aquele espaço próximo ao Aeroporto, mas o pessoal da área cultural entende que é bom que fique no lugar de sempre”, considera o vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon/RS), Zalmir Chwartzmann.

O coordenador de Memória Cultural da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, José Francisco Alves, explica que a Prefeitura somente acompanha a discussão, mas entende que o simbolismo do Laçador não pode ser negado. “As pessoas querem ter mais acesso ao Laçador. Hoje, o local não é mais adequado e a Prefeitura não dispõe de recursos para fazer as melhorias. Por isso, essa parceria com o Sinduscon é fundamental”, ressalta.

A primeira fase de recuperação compreendeu um diagnóstico quanto às condições estruturais da escultura, especialmente quanto a fissuras verificadas na base do monumento. Dois especialistas em restauro de obras com metal foram contratados: a brasileira Virginia Costa, engenheira metalúrgica e consultora em conservação do patrimônio, responsável pela coordenação de todo o trabalho prospectivo, e o francês Antoine Amarger, restaurador de esculturas com metal.

A perspectiva é de que até agosto seja finalizado o processo de captação de cerca de R$ 1,2 milhão para o restauro via Lei de Incentivo à Cultura (LIC). A restauração do Laçador deve ser realizada em 90 dias.

Criada em 1954, a Estátua do Laçador é um monumento que representa o gaúcho pilchado (em trajes típicos). A obra é de autoria do escultor gaúcho Antônio Caringi (1905-1981), de Pelotas, que produziu diversos monumentos, em geral, ligados à história e à cultura gaúcha.

Como modelo de indumentária, o artista utilizou o folclorista Paixão Côrtes, um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Em 1958, a prefeitura de Porto Alegre comprou o monumento e, a partir da matriz em gesso, fundiu a estátua em bronze e a transportou para ser instalada sobre um pedestal na avenida dos Estados, também na zona Norte. Em 2007, em função de obras na região, a estátua acabou transferida para o Sítio do Laçador, em frente ao antigo terminal do aeroporto Salgado Filho, onde permanece.