País tem mais de 70 mil novos casos de tuberculose

A doença é negligenciada, diz presidente de ONG

Foto: César Lopes / PMPA

O Brasil registrou 72 mil novos casos de tuberculose, segundo o Ministério da Saúde. Os dados são referentes a 2018. No ano anterior, foram 73 mil novas ocorrências. De acordo com a Pasta, a doença tem relação direta com a pobreza e a exclusão social. Entre os novos casos, 10,4% são presidiários, 8,7% pessoas com HIV, 2,5% população de rua e 1% indígenas, considerados públicos de maior vulnerabilidade.

A tuberculose matou 4,5 mil pessoas em 2017 e 4,4 mil no ano anterior, no país. Os números de 2018 ainda não foram divulgados. Neste domingo, Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o ministério está lançando uma campanha publicitária para chamar a atenção em relação aos sintomas da doença. O público-alvo são homens entre 25 e 40 anos, os mais afetados pela tuberculose, segundo a pasta.

A situação no Rio Grande do Sul também é desfavorável, com altas taxas de abandono de tratamento e baixa incidência de cura, conforme a Secretaria Estadual da Saúde. Em 2018, o Estado estava entre os cinco com maiores taxas de incidência em todo o país. As taxas têm se mantido entre 40 e 45 casos por 100 mil habitantes. Esses números são maiores do que os apresentados no nível nacional, que giram em torno de 32 a 33 casos por 100 mil habitantes.

A doença está no rol das enfermidades negligenciadas pelo poder público, destaca a presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa), Carla Almeida. “Tuberculose é uma doença que tem cura. Então, como não conseguimos superar a doença? É necessário trabalhar mais em cima do diagnóstico, o que é uma dificuldade já nem sempre há serviço público engajado nisso”, ressalta. “Há uma relação direta com a epidemia de Aids. É a principal causa de morte dessas pessoas”, complementa.

Os principais sintomas são tosse por três semanas, febre vespertida, suor noturno, cansaço e emagrecimento. Além do diagnóstico precoce, outra preocupação do governo é informar sobre a importância da não interrupção do tratamento, que dura no mínimo seis meses, para que se alcance a cura da doença. Exames para diagnóstico e tratamento para a doença estão disponíveis no SUS.

A tuberculose é a quarta causa de morte entre as doenças infecciosas e primeira as entre doenças infecciosas em pessoas com HIV no Brasil. De acordo com a nova classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país ocupa a 20ª posição na lista dos 30 países prioritários para tuberculose.

Segundo a OMS, a tuberculose é uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo. Cerca de 10 milhões de pessoas contraíram a doença no mundo, em 2017, e 1,3 milhão morreram. A principal forma de prevenir a doença é por meio da vacina BCG, disponível na rede pública – em UBS e maternidades. Essa vacina deve ser dada à criança, ao nascer, ou, no máximo, até os 4 anos de idade.