“Desnecessária, ilegal e inexplicável”, considera Marun sobre prisão de Temer

Ex-ministro afirmou que detenção de ex-presidente é exibicionismo judiciário

Foto: Lúcio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados / Rádio Guaíba

O ex-ministro Carlos Marun, que era líder da tropa de choque do ex-presidente Michel Temer, afirmou nesta quinta-feira que a prisão do ex-chefe de Estado, a pedido da força-tarefa da operação Lava Jato, é desnecessária e sem explicação. “É uma prisão desnecessária, ilegal e inexplicável. Afirmo sem medo de errar que isto foi um exibicionismo do Judiciário”, disse em entrevista à Rádio Guaíba.

Marun afirmou que respeita a prisão e disse que conversou pela última vez com Temer em fevereiro. “Terei de ler o processo, inclusive estou atrás dele, para poder fazer um debate do caso em concreto”, explicou. “Afirmo novamente: foi um ato de exibicionismo do Judiciário. Mais uma vez prova que este País precisa de uma lei contra o abuso de autoridade para que abusos como esse não sejam mais cometidos”, acrescentou.

O ex-ministro disse que há diferenças em relação à prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), também pela Lava Jato, e a prisão preventiva de Michel Temer. “Lula foi processado, condenado em primeira e segunda instância antes de ser preso. Se você não sabe qual a diferença de uma prisão resultante de um processo e de uma prisão preventiva, me desculpe”, disse, em resposta ao apresentador Juremir Machado da Silva.

Os ânimos de Marun se exaltaram durante a entrevista a partir do momento em que Juremir citou a opinião dos anteriormente entrevistados, o ex-senador e ex-governador do Estado do Paraná Roberto Requião (MDB) e da senadora Kátia Abreu. Ele se referiu a Requião com termos como “vagabundo” e “porcaria”. “Esse pessoal torce para uma esculhambação como essa, que num momento em que o Brasil tenta se reerguer quer causar uma grande confusão na política num momento em que se discutem coisas importantíssimas no Congresso Nacional”, reclamou.

Durante entrevista, o deputado estadual pelo MDB, Tiago Simon, parabenizou a Lava Jato por “colocar corruptos na cadeia”. Marun, no entanto, disse que, apesar de respeitar Simon, entende que ele errou na declaração. “Porque se ele tivesse a tradição democrática do MDB, deveria saber que prisões devem acontecer ao final de processos, que prisões preventivas são exceções absolutas. Jogou com a torcida, infelizmente”, declarou Marun.

Prisões

Além de Temer, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco no Rio de Janeiro. O ex-ministro Eliseu Padilha também é alvo da operação, mas ainda não há informações sobre a detenção dele.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Temer foi encaminhado à sede da PF em São Paulo e passou por exame de corpo delito e agora segue para o Rio de Janeiro, cidade onde foram originados os mandados de Bretas.

Delações de Sobrinho e Funaro 

A operação de hoje é decorrente da Operação Radioatividade. A investigação se baseia nas delações do empresário José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, e do corretor Lucio Funaro.

No ano passado, Funaro entregou à Procuradoria-Geral da República informações complementares do acordo de colaboração premiada que firmou. Entre os documentos apresentados, há estão planilhas mostrando, segundo o delator, o caminho de parte dos R$ 10 milhões repassados pela Odebrecht ao MDB na campanha de 2014.

De acordo com a Polícia Federal, Sobrinho fala sobre “pagamentos indevidos” de R$ 1,1 milhão, em 2014, solicitados por João Baptista Lima Filho e pelo ministro Moreira Franco, “com anuência do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Michel Temer, no contexto do contrato da AF Consult Brasil com a Eletronuclear”.

Os valores, segundo o delator, foram depositados em conta corrente em nome da empresa PDA Projeto, cujos sócios são o coronel Lima, amigo de Temer, e a esposa dele, Maria Rita Fratezi, por meio de um contrato simulado com a Alumi Publicidade.