Dodge defende que Temer, Padilha e Moreira sejam investigados na mesma instância

Pedido chegou hoje ao Supremo Tribunal Federal

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, concede entrevista coletiva à imprensa para falar sobre a operação da Polícia Federal que prendeu na manhã desta quinta-feira, 29 o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu hoje, no Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente Michel Temer e os ex-ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha sejam investigados de forma conjunta no inquérito sobre o suposto recebimento de propina da empreiteira Odebrecht.

Em outubro do ano passado, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, determinou a suspensão do inquérito aberto contra Temer até o fim do mandato, que se encerrou em 1º de janeiro.

Fachin, no entanto, determinou o encaminhamento, à Justiça Eleitoral de São Paulo, da parte da investigação que envolve os ex-ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e de Minas e Energia, Moreira Franco.

Na manifestação enviada hoje ao STF, Raquel Dodge defende que, com o fim do mandato de Temer, as acusações imputadas contra os três, por serem conexas, sejam julgadas conjuntamente, em uma só instância. O Supremo ainda vai julgar definitivamente em qual tribunal o caso vai tramitar.

Conforme delação premiada de seis ex-executivos da Odebrecht, o ex-presidente executivo da empresa, Marcelo Odebrecht, e Padilha, que à época era ministro da Aviação Civil, acertaram, em um jantar em maio de 2014, no Palácio do Jaburu, quando Temer era vice-presidente, um pagamento de R$ 10 milhões para caixa dois da campanha de Paulo Skaf (MDB) ao governo de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, R$ 1,4 milhão foram supostamente recebidos, por meio de intermediários, pelo ex-presidente.

Em outubro do ano passado, o advogado Daniel Gerber, que representa Padilha, disse que jamais houve qualquer ato de corrupção imputado ao ex-ministro. A época de divulgação do relatório da PF, o Palácio do Planalto disse por meio de nota que as conclusões do delegado responsável eram “um atentado à lógica e à cronologia dos fatos”.