Pesquisa mostra envelhecimento e redução de crescimento da frota gaúcha

Aumentou o número de veículos circulando no RS com mais de 30 anos de fabricação. Já aqueles com menos de um ano diminuíram pela metade

Foto: Arquivo / Agência Brasil / CP

Um levantamento do Detran gaúcho mostra que a frota de veículos vem crescendo em ritmo menor, a cada ano, no Rio Grande do Sul. Na série histórica, os últimos anos apontaram redução gradual em vendas de carros após um período de aquecimento do mercado automotivo, alavancado por políticas de IPI zero e financiamentos de longo prazo. A tendência de crescimento, de acordo com os dados, se modificou em 2012.

O Rio Grande do Sul ainda não chegou próximo a um crescimento negativo, mas seguindo a atual tendência, o Detran-RS projeta uma elevação mais lenta para a frota. Em fevereiro de 2020, o número de veículos inscritos no Detran não deve ultrapassar os sete milhões. Em dezembro de 2018, esse número era de 6.772.764.

Enquanto o aumento do número de carros em 2009 a 2010 ficou em 6,6%; entre 2017 e 2018, caiu para 3% – menos da metade. A virada se deu de 2012 para 2013, quando o aumento médio anual passou de 6,8% para 6,4%, iniciando a curva descendente.

O crescimento passou a ser vegetativo, conforme explica o especialista em Transportes e professor da Ufrgs João Fortini Albano. “Até poucos anos atrás havia incentivos pesados na compra de veículos, caso do IPI zero. Ao mesmo tempo, a elevação da taxa de desemprego e as dificuldades para tomada de financiamentos colaborou para estancar a frota”, ressalta.

Com a redução no ritmo de novos emplacamentos, a frota gaúcha passou a envelhecer: hoje, há 21,3% dos veículos circulando com mais de 30 anos de fabricação. Em 2009, esse índice era de 19%. Em relação a automóveis novos, aqueles com menos de um ano de fabricação são hoje menos de metade do total em 2009, segundo o Detran. Entre os 6,7 milhões de veículos, só 2,3% da frota em 2018 é considerada “zero km”, contra 5%, há 10 anos.

Apesar de o número de veículos na ruas estar crescendo pouco, os congestionamentos se mantêm. “Essa diminuição projetada não significa melhoria no trânsito porque os carros comprados há dez anos seguem circulando nas ruas”, enfatiza Albano.

Já a Associação Nacional de Concessionárias de Automóveis, a Fenabrave, informou que os emplacamentos de todos os segmentos somados apresentaram alta acumulada de 13,58% em 2018, somando 3,6 milhões de unidades, ante as 3,2 milhões registradas em 2017.