Prefeito de Canoas fala que funcionários contratados pelo Gamp não passaram pela avaliação dele

Parentes de servidores públicos e uma ex-cunhada de Busato eram ligados a grupo investigado pelo desvio de supostos R$ 40 milhões destinados à área da Saúde

Foto: Gustavo Gargioni / Especial / Palácio Piratini / CP

A investigação do Ministério Público em relação ao suposto desvio de R$ 40 milhões pelo Grupo de Apoio à Medicina Preventiva (Gamp) dá conta que pelo menos oito servidores públicos podem estar envolvidos no esquema. Em entrevista ao Guaíba News desta quarta-feira, o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busatto, disse não ter condições para controlar os 7 mil funcionários do Executivo.

A respeito da contratação da ex-cunhada de Busatto que, segundo o MP, não seguiu critérios técnicos, o prefeito disse não ter nenhuma relação com a irmã da ex-esposa. “Tenho 70 anos, tive diversas namoradas e estou separado. Não tenho como saber da vida da minha ex-cunhada, nem controlar a vida de 7 mil pessoas, assim como não posso impedir que uma empresa terceirizada contrate A, B ou C. Como vou saber se alguém foi ou não meu cunhado? Nem sabia que ela trabalhava lá”, sustenta.

De acordo com Busatto, quando tomou conhecimento do caso, determinou o desligamento da funcionária. Da mesma forma, justificou o político, houve a demissão de um sobrinho da secretária da Saúde, afastada desde a operação realizada pelo Ministério Público, e da esposa de um outro gestor do primeiro escalão do município.

Situação de emergência

A respeito do decreto de situação de emergência assinado ontem pela Prefeitura de Canoas, Busatto esteve hoje em Brasília para buscar apoio junto ao Ministério da Saúde e Casa Civil. Conforme o prefeito, o Ministério da Saúde não se comprometeu em oferecer mais recursos à cidade. “Na parte financeira, infelizmente dependemos do Estado. Se nossa parcela de R$ 45 milhões não for repassada, teremos nova greve dos servidores e colapso da saúde em Canoas”, alertou. O governo estadual condiciona a manutenção dos repasses ao envio de detalhes sobre os contratos firmados pela administração municipal com o Gamp, em 2016.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou que a Prefeitura de Canoas suspenda os pagamentos dos contratos com o Gamp. A decisão do conselheiro Alexandre Postal acompanha apontamentos feitos pela área técnica do Tribunal, que identificou possíveis irregularidades durante inspeção extraordinária realizada no município. A inspeção ocorreu antes da operação do Ministério Público.