Conselho de Secretários espera que Mais Médicos preencha vagas no RS para minimizar crise

Prefeituras e hospitais dizem que atraso de repasses chega a cerca de R$ 1 bilhão

Foto: Governo do Estado./ Divulgação.

Com atrasos estimados em R$ 1 bilhão em repasses da Secretaria Estadual da Saúde a hospitais e municípios, as secretarias municipais de Saúde confirmaram hoje estar contando com a substituição de profissionais do Programa Mais Médicos no Rio Grande do Sul para minimizar os efeitos da crise. Cerca de 630 cubanos deixaram as cidades gaúchas após rompimento do convênio do governo do país caribenho com o Brasil.

Dos mais de 600 postos de trabalho vagos, somente 147 médicos brasileiros tiveram as inscrições homologadas até o momento após a abertura de edital pelo Ministério da Saúde. O prazo termina na próxima sexta-feira. O problema é registrado no Brasil inteiro, considerando que as vagas do Mais Médicos foram rapidamente preenchidas, mas muitos inscritos desistiram do programa. O governo federal já abriu nova etapa para brasileiros formados no exterior e médicos estrangeiros com diploma revalidado.

O presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems), Diego Espíndula, apelou hoje para que os credenciados homologuem os registros no Mais Médicos. “Só assim para resolvermos parte do problema. Sabemos que nem todas as vagas serão preenchidas, mas 147 profissionais é muito pouco para diminuir o grave problema que estamos enfrentando”, ressaltou.

A entidade ajuizou uma ação junto ao Ministério Público para tentar reverter os atrasos dos repasses. Em reunião realizada na semana passada, a Secretaria da Fazenda informou que a Pasta vai repassar R$ 80 milhões para a Saúde até a próxima sexta-feira.

A Federação das Santas Casas do Rio Grande do Sul salienta que mais de 30 hospitais filantrópicos já restringiram os serviços aos pacientes. “Estamos à beira do caos porque está faltando até alimentação nos hospitais. Estamos fazendo arrecadações junto às comunidades”, disse o presidente da entidade André Emílio Lagemann.

Além dos R$ 341 milhões devidos pelo Estado por conta de serviços e atendimentos pelo IPE prestados desde agosto pelos filantrópicos, mais uma parcela de R$ 70 milhões referente a programas contratados pelo governo, como serviços de saúde mental, e cirurgias eletivas, vence no fim de dezembro. Os filantrópicos seguem, ainda, aguardando o repasse federal de R$ 70 milhões referentes a internações e consultas pelo SUS.

Além disso, o Estado deve mais R$ 649 milhões em repasses diretos aos municípios, para que apliquem em Saúde, fazendo com que a conta atrasada alcance R$ 1 bilhão, conforme o Cosems.