Ministro fala que Bolsonaro vai ter de mudar regras para ter acesso prévio ao Enem

"Na nossa gestão, eu não olhei, e pelo que sei, outros ministros também não olharam", disse Rossieli Soares

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Educação, Rossieli Soares, disse hoje que procedimentos de segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão que ser revistos caso o presidente eleito Jair Bolsonaro queira ter acesso ao exame antes de ele ser aplicado. “Se o presidente eleito vai ou não vai ver a prova, cabe a eles, a partir de 1º de janeiro, entender qual o modelo de gestão [que adotarão]”.

“Nós entendemos, inclusive por questão segurança das próprias autoridades, que cabe às equipes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) fazerem a gestão da prova. Na nossa gestão, eu não olhei, e pelo que sei, outros ministros também não olharam. Falo de ministros, não falo nem de presidentes, que também não olharam a prova”, enfatizou Soares.

O ministro explicou que a prova, após elaborada, fica em uma sala-cofre e só deixa o local para ser levada à gráfica, escoltada pela Polícia Federal. “Existe um processo, um procedimento, que precisa ser revisto para que isso [Bolsonaro veja o exame] aconteça”, explicou.

Após a aplicação do Enem 2018, Bolsonaro criticou o exame. Ele disse que, ao assumir o governo, não vai permitir a inclusão de determinadas questões no exame nacional.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o ministro indicado para a pasta da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez-Rodríguez, disse ontem que não vai impedir o presidente eleito de atestar a qualidade das provas. Para ele, é bom que o presidente se interesse pelo exame.