Ponte do Guaíba: furto de cabos mantém trecho no escuro desde fim da concessão

PRF, BM e Prefeitura de Porto Alegre dão explicações distintas para o impasse

Com postes de energia elétrica constantemente apagados no vão móvel da ponte do Guaíba e nos acessos à BR 448 e à avenida Castello Branco desde que a concessionária Concepa deixou de operar na FreeWay e na BR 290, em julho, o transtorno fica sem responsável direto. Enquanto isso, o furto de fios se mantém constante.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que é responsável pela segurança das rodovias, mas não pela iluminação. No último sábado, três homens foram presos em flagrante pela corporação com mais de 60 metros de fio de cobre. Um deles acabou detido pela quinta vez.

A PRF informou, ainda, que não é possível ficar “onipresente” em todos os locais onde há postes de iluminação e que a manutenção é responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Outro problema é que a Polícia não consegue acessar as imagens das câmeras que eram da Concepa. A reportagem procurou a assessoria do Dnit, que não atendeu às ligações.

O 9º Batalhão da Brigada Militar deve incluir o trecho nas rondas da corporação, segundo o tenente-coronel Rodrigo Picon. “Toda vez que há içamento do vão móvel, encaminhamos policiais nossos para proteger as pessoas que ficam ali, paradas, e não tivemos mais ocorrências de arrastões. Quanto à questão da iluminação, temos um crescente com o furto. Por isso, aumentamos o patrulhamento na área”, ressaltou.

Já a Prefeitura de Porto Alegre se queixa de estar sendo responsabilizada pelo problema. Segundo o secretário de Serviços Urbanos, Ramiro Rosário, o caso é de Polícia e não de falta de iluminação pública. “É um absurdo que ainda tenhamos gastos devido a furtos e vandalismo. Nossas equipes deveriam estar se dedicando à manutenção de outros casos, mas precisam refazer projetos de instalações elétricas pra evitar novos atos de vandalismo. O material só é furtado porque alguém compra”, ressaltou.

Até o momento, o prejuízo ultrapassa os R$ 110 mil. No caso das alças de acesso, vão móvel e iluminação cênica terão de ser investidos pelo menos R$ 80 mil. Dezesseis de 60 pontos sem energia foram normalizados na semana passada. Ainda é analisada a forma de restabelecimento da iluminação em 17 trechos da ponte, sobre a água, já que os caminhões cestos não podem ser utilizados no local.

Na avenida Castello Branco, o trecho sem luz é de mais de dois quilômetros. Em parte dos pontos, a Secretaria examina a possibilidade de instalação aérea de condutores de alumínio para minimizar as ocorrências de furto de fiação.