Médicos cubanos devem deixar o Brasil até o Natal

Expectativa é pelo lançamento de edital pelo Ministério da Saúde para suprir as mais de 8 mil vagas em aberto

Presidente do Conasems, Mauro Guimarães Junqueira | Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

Após o anúncio da saída de Cuba do Programa Mais Médicos, a expectativa é de que os mais de 8,3 mil profissionais cubanos deixem o País em cerca de 40 dias. Foi o que projetou hoje o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães Junqueira, que se reuniu com a embaixada de Cuba em Brasília e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), nesta quinta-feira.

Os representantes cubanos informaram o Conselho de Secretários de Saúde a respeito do prazo para a retirada de todos os médicos que fazem parte do programa.

Ontem, a entidade de gestores municipais e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) chegaram a apelar, em nota conjunta, para a manutenção dos profissionais cubanos no Brasil sob risco de faltar atendimento à população. Agora, a expectativa é pelo lançamento de edital pelo Ministério da Saúde para suprir as vagas em aberto.

Junqueira estima que elas sejam preenchidas no menor prazo possível para evitar prejuízos a populações localizadas em aldeias indígenas e pequenas cidades distantes de grandes centros em todo o País. “O que os secretários e prefeitos dependem é que haja médicos para atender a população. Esse é nosso objetivo. Se houver médicos brasileiros em número suficiente, ótimo, é o que almejamos”, ressaltou em entrevista ao Guaíba News.

O Ministério da Saúde anunciou ontem que vai lançar um edital nos próximos dias. Nesta quinta, o governo cubano afirmou que um grupo de 196 médicos já retornou ao país, após três anos de trabalho no Brasil. De acordo com Cuba, esses são os primeiros a voltar após o anúncio de Havana de sair do Mais Médicos devido a críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro.

A Agência Cubana de Notícias (ACN) — veículo oficial do governo local — informou que os médicos chegaram “felizes por terem cumprido sua missão”, mas também “preocupados com a sorte do povo brasileiro com o novo presidente eleito”.