Saída de Cuba do Mais Médicos prejudica indígenas, adverte Conselho

Já o Ministério da Saúde anunciou que vai lançar um edital nos próximos dias para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais de Cuba

Presidente do Conasems, Mauro Guimarães Junqueira | Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

O presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães Junqueira, afirmou nesta quarta-feira que os povos indígenas atendidos por médicos cubanos devem ser os mais prejudicados pelo fim da participação de Cuba no programa Mais Médicos.

O dirigente afirmou ter sido surpreendido com a nota do governo cubano anunciando o fim da participação na iniciativa, hoje, em Havana, apesar dos rumores de que havia essa possibilidade. Junqueira destacou que a iniciativa é importantíssima, já que, considerando as distâncias em relação aos centros urbanos, muitas tribos poderão ficar sem atendimento.

Na semana passada, o Conselho emitiu nota onde desmentia rumores sobre o fim da cooperação cubana no Mais Médicos. “Como divulgado na Comissão Intergestores Tripartite, nossa luta continua sendo pela devida reposição dos profissionais, tendo em vista o comprometimento do Ministério da Saúde em publicar o edital de reposição do Programa ainda no mês de novembro”, dizia o comunicado.

De acordo com Junqueira, 1,6 mil vagas do programa estão abertas e, “mesmo confirmada a saída (dos cubanos), não há como retirar os 8 mil médicos de um dia para a noite”. O presidente do conselho falou para o jornal O Estado de S.Paulo.

Novo chamamento

Já o Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira, que vai lançar um edital nos próximos dias para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos do Mais Médicos. A prioridade é para candidatos brasileiros formados no País, seguidos por médicos estrangeiros, assim como já ocorria desde o primeiro chamamento do programa.

A pasta recebeu hoje o comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Segundo o ministério, existem 8.332 vagas destinadas a profissionais de Cuba.

O governo cubano informou que deixa de fazer parte do programa sob a justificativa de que as exigências feitas pelo governo eleito são “inaceitáveis” e violaram acordos anteriores.

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse, no Twitter, que a permanência dos cubanos está condicionada à realização do Revalida pelos profissionais, que é o exame aplicado aos médicos formados no exterior e que querem atuar no Brasil.