Cidade Baixa: laudo sugere que jovem aumentou lesões no corpo antes de depor à Polícia

Delegado responsável por investigação fala que perícia reforça tese da automutilação

Foto: reprodução do laudo divulgado pela Polícia Civil.

A jovem que alegou ter sido vítima de agressões feitas por três homens com suposto cunho político, no início de outubro, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, pode ter feito mais lesões ao corpo antes de depor à Polícia Civil. A garota alegou que agressores desenharam uma suástica na região do abdome dela. As fotos realizadas durante exame de corpo de delito e durante oitiva na 1ª Delegacia de Porto Alegre sugerem acréscimo de riscos.

Segundo o delegado Paulo César Jardim, responsável pela investigação, existem diferenças nas marcas entre a análise feita pelo Departamento Médico Legal (DML) e fotografia feita por ele.

“Ela primeiro fez a lesão e o laudo confirmou que ela se automutilou. Logo que vi as lesões na delegacia, no dia seguinte ao exame de perícia, fotografei para colocar no inquérito policial. Quando recebi o laudo do DML, percebi que havia mais riscos no corpo. Resolvi enviar novamente para o DML afim de comprovar que ela autolesionou o corpo novamente. Acho que ela não imaginou que eu iria fazer o comparativo”, ressalta.

O laudo pericial mostrou adição de pelo menos dez novos riscos na barriga da jovem, feitos com “instrumento contundente”. Segundo o delegado, a perícia sugere que não houve cortes, mas riscos realizados através de “lesão abrasiva”.

Esse novo laudo vai ser anexado ao termo circunstanciado que concluiu ter ocorrido automutilação ou lesão consentida. Conforme o delegado e a perícia, a suposta agressão não apareceu em imagens de câmeras de segurança do bairro.

Ela foi indiciada por falsa comunicação de crime. Em caso de condenação, a pena varia de seis a um ano de prisão. A advogada da jovem foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre o novo laudo da perícia.