“Chegaremos a 2020 sem entender o fenômeno das notícias mentirosas”, admite pesquisador

Avaliação é do professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Fábio Malini

O debate sobre a disseminação de notícias mentirosas em redes sociais, em especial, no WhatsApp, está longe de terminar e ser explicado cientificamente. A avaliação é do professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Fábio Malini. Sem desconsiderar a importância das agências de verificação de conteúdos, o especialista considera pouco efetivos os atuais esforços em desmentir as fake news.

Em entrevista à Rádio Guaíba, o pesquisador em redes sociais e comunicação na internet destacou que, apesar de estar interligado a outras plataformas, como YouTube e Facebook em termos de conteúdo, o WhatsApp mantém a lógica da transmissão sigilosa – a criptografia de ponta a ponta, que complica a averiguação da veracidade do que é veiculado.

Além disso, existe o problema do “acredite no quiser” presente nas redes sociais. “As fontes de informação e produção de informação das pessoas são mais pessoalizadas. Assim, as pessoas serão muito mais submetidas a uma lógica emocional – e não racional”, pondera.

Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura, o especialista em redes sociais entende que o país está perdendo a oportunidade de investigar as causas do fenômeno das fake news. “Essa quantidade grande de informações falsas vai continuar nas próximas eleições e, possivelmente, será muito maior. Chegaremos a 2020 sem entender o fenômeno porque além da esfera policial, não estamos produzindo nada em termos de conteúdo científico. Estamos perdendo a oportunidade e chegaremos a 2020 com menos informações sobre a circulação desse tipo de informação”.

Além disso, segundo Mali, o problema era previsível. “Não faltaram avisos desde 2017 por especialistas, jornalistas e pesquisas feitas já pela União Europeia. Quem circula as notícias falsas são as pessoas, não as redes. Estudos já mostravam que são as pessoas mais radicais que fazer circular esse tipo de conteúdo. Estamos vivendo uma epidemia, mas não estamos buscando a cura”.

Em um paralelo com as eleições de 2006, quando o e-mail teve grande importância na discussão política e na profusão de conteúdos, já havia relação entre as candidaturas e as fake news. “A diferença entre as correntes de e-mail e o conteúdo do WhatsApp é que hoje temos uma população muito maior que está conectada e compartilhando os conteúdos na rede.