Depois de 20 anos, presidente do Simers renuncia ao cargo

Dirigente disse estar sendo vítima de difamação. Em novembro, ele disputa mais um mandato

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, renunciou ao cargo que exercia, há 20 anos, em carta publicada no site da entidade, neste domingo.

No comunicado, Argollo fala em “momento de profunda dor”. O dirigente, que cumpriu seis mandatos à frente da instituição e é, mais uma vez, candidato no pleito interno previsto para o fim do ano, sustenta que passou a ter a honra atacada com “calúnias, gravações montadas e toda sorte de artimanhas sórdidas para tentar provocar a dúvida”.

Frisando ter feito o melhor para o Simers, médicos, pacientes e a luta pela vida, Argollo frisou que a entidade soma hoje 16 mil filiados – oito vezes mais do que à época da fundação. O ex-presidente cita, por exemplo, que em agosto, por meio de ação judicial, o Simers obteve a devolução de R$ 8 milhões a médicos de uma empresa, que não é nominada.

Em nota, o sindicato anunciou que a vice-presidente Maria Rita de Assis Brasil assume o comando da entidade até o fim da gestão. No mesmo texto, o Simers esclarece que “decisão já foi comunicada a todos os médicos do Estado e aos funcionários na manhã deste domingo”.

Crise em disputa eleitoral interna pode ter provocado renúncia

No cenário de fundo da renúncia, a disputa eleitoral à direção do Simers. Dois parágrafos (sétimo e oitavo) da carta de renúncia sugerem, nas entrelinhas, a existência de uma crise, mas sem explicar a causa da saída. Ao fim da carta, o agora ex-presidente do Simers revela ter oferecido denúncia à Promotoria Pública e à Polícia Federal. Durante o domingo, Argollo não atendeu aos contatos telefônicos e assessoria informou que a nota resume a decisão.

A votação para o comando do Simers é prevista para novembro. O mandato dos eleitos é de três anos e Argollo, que é gastroenterologista, encabeça a chapa 1. Já o ginecologista Marcelo Marsillac Matias representa a chapa 2.

Confira, na íntegra, a carta de renúncia: 

Agradecimento

Durante 20 anos dediquei minha vida ao SIMERS. Tive a honra de liderar uma equipe competente, motivada, focada no cumprimento de suas responsabilidades e absolutamente comprometida com os ideais da entidade. Inicialmente, éramos 30 médicos e cerca de 20 funcionários; hoje, somos mais de 160 médicos e 140 colaboradores.

Juntos, transformamos um sindicato de pouco mais de 2 mil sócios, no maior sindicato médico da América Latina, com 16 mil associados e mais de 90% de aprovação, conforme apontaram todas as pesquisas de mercado.

Ao longo dos últimos anos, adotamos um posicionamento que deu notoriedade à nossa categoria, pois cumpriu um papel social de extrema relevância: “A verdade faz bem à saúde”. Com este lema, lutamos na defesa da imagem da categoria médica no Rio Grande do Sul, por condições dignas de trabalho para os nossos profissionais e por um atendimento decente para os nossos pacientes. Nossa luta sempre foi em defesa da vida e da verdade.

Por duas décadas, dedicamos nossos melhores esforços para unir a nossa categoria, tornando-a cada dia mais forte e uma incontestável referência para a sociedade. Contrariamos, corajosa, sistemática e obstinadamente interesses políticos e econômicos e dizemos crescer exponencialmente nossa entidade, adquirindo o respeito e a estima da comunidade.

Agora mesmo, em agosto, em uma única ação judicial, por força do nosso argumento, conseguimos que uma empresa tivesse que devolver mais de R$ 8 milhões de reais aos médicos que emprega.

Diante de todos esses fatos, não é de surpreender que procurem atingir e fragilizar esse trabalho e, por consequência, esta equipe, por meio daquilo que nos é mais caro, o nosso patrimônio ético e moral.

Em nome de interesses escusos, procuram atingir minha honra para ferir o SIMERS, semeando calúnias, gravações montadas e toda sorte de artimanhas sórdidas para tentar provocar a dúvida. Definitivamente, não é trabalho de amadores!

Neste momento de tanta desinformação, estou convicto que o melhor a fazer para ajudar não apenas o SIMERS – legado de uma vida –, mas também os médicos, os pacientes, a saúde e a nossa “Luta pela Vida”, é me distanciar da direção da entidade. Me afasto com profunda tristeza, mas movido pela coerência, fiel aos mesmos ideais que me trouxeram até aqui.

Agradeço a todos que, junto comigo, percorreram essa jornada e construíram o sucesso e a credibilidade de nossa entidade. Agradeço também a toda categoria médica que, reiteradamente, manifestou seu apoio ao meu trabalho, inclusive e principalmente pelo voto.

O momento é para mim de profunda dor, mas também imenso orgulho, com a confiança de que deixo o SIMERS em mãos experientes, que saberão conduzi-lo com força e sabedoria. Já ofereci denúncia à Promotoria Pública e à Polícia Federal, confio plenamente na verdade e na justiça e estou certo de que os ataques e as calúnias serão afinal desmascarados.

Desejo sucesso aos que continuarão na construção desta obra.

Obrigado a todos!

Paulo de Argollo Mendes