“A justiça tarda mas não falha”, diz presidente da Federação Israelita sobre condenação de neonazistas

A expectativa é de que mais réus sejam levados a júri em novembro, e a totalidade dos julgamentos ocorra até o ano que vem.

Foto: Ananda Muller

O presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS), Zalmir Chwarzmann, declarou hoje ao programa Direto ao Ponto que a sentença condenatória contra três réus acusados de agredirem jovens judeus em Porto Alegre há 13 anos comprova que “a justiça tarda mas não falha”. Chwarzmann faz referência ao tribunal do júri que condenou, nesta quarta-feira, os três primeiros de um total de 14 acusados de participarem de três tentativas de homicídio contra três judeus no bairro Cidade Baixa em 8 de maio de 2005. Chwarzmann afirmou ainda que não considera o Brasil um país preconceituoso ou intolerante de maneira geral, mas ponderou que ataques à comunidade israelita ocorrem sistematicamente.

“O julgamento de hoje entra para a história da Justiça brasileira, não só para a comunidade judaica, mas para toda a sociedade, que precisa combater o ódio e o discurso de ódio dos radicais”, disse ele. Questionado sobre a atuação de grupos neonazistas no Brasil e a repercussão negativa junto a uma postagem referente ao holocausto na página da Embaixada da Alemanha (internautas brasileiros defendiam que o holocausto nunca existiu, chamando-o de “holofraude”), reforçou que “infelizmente estes grupos acabam estando presentes em todas as partes”, e elogiou o trabalho realizado pela Alemanha na conscientização dos jovens sobre os horrores do nazismo e o trabalho de resgate da memória para não repetir erros históricos. “A Alemanha hoje é uma nação amiga da comunidade israelita”, relembrou.

O presidente ainda reforçou a atuação da Federação Israelita no resgate da memória judaica no Rio Grande do Sul, e também a atuação de advogados ligados à Federação neste e em outros julgamentos envolvendo casos semelhantes. No júri desta quarta, foram condenados a 13 anos de prisão os réus Thiago Araújo da Silva e Laureano Vieira Toscani, e a 12 anos e 8 meses de prisão o réu Fábio Roberto Stumpf. Laureano é o único que não poderá recorrer em liberdade, tendo em vista que reside hoje nos Estados Unidos, e esse fato poderia implicar em risco de evasão.

A expectativa é de que mais réus sejam levados a júri em novembro, e a totalidade dos julgamentos ocorra até o ano que vem. Eles são acusados de três tentativas de homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. Materiais apreendidos na casa de Laureano e de um réu que ainda não foi a julgamento auxiliaram na confirmação das relações do grupo com células neonazistas e de supremacistas brancos.

Relembre o caso

Em 8 de maio de 2005 um grupo de 14 skinheads agrediu três jovens judeus na esquina das ruas República e Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Testemunhas afirmaram que o grupo saiu de dentro de um bar e partiu para cima dos rapazes, que estavam do outro lado da rua. Entre os relatos, a descrição de que os agressores desferiam chutes, pisões e facadas nas vítimas aos gritos de “judeu tem que morrer”.