As Herdeiras

O filme fala de amor entre mulheres da terceira idade. O longa está em cartaz no Guion, Itaú Cinemas e GNC Moinhos

Foto: Divulgação

O filme “As Herdeiras”, premiado nos festivais de Berlim e Gramado, traz um recorte do amor na terceira idade, assim como retrata um pouco da sociedade paraguaia. Filmado com sutileza e força na atuação das protagonistas, podemos nos perguntar por que uma geração inteira normalmente é negligenciada e sentenciada a não ter protagonismo.

Na trama, Chela (Ana Brun) e Chiquita (Margarita Irún) são herdeiras de famílias abastadas do Paraguai, que vivem em um casarão com cara de abandono em Assunção. Como o dinheiro é cada vez mais escasso, as duas vivem da venda de seus bens. O problema é que as dívidas existem e não foram administradas no passado levando Chiquita para a prisão. Chela, que se vê sozinha, por insistência de uma amiga, passa a ser motorista particular de senhoras ricas.

Em seu novo trabalho, surge a livre e exuberante Angy (Ana Ivanova), trazendo novas percepções para Chela num momento em que se imaginaria para ela, inserida em uma sociedade tradicional, o papel de mulher idosa que fica em casa.

Mais do que a respeito da terceira idade, o filme também é sobre amor, descobertas e espaço para buscar liberdade em qualquer momento da vida. O longa também tem um tom melancólico, mesmo sendo de beleza incrível. Com planos mais fechados e desfocados, “Las Herederas” ainda dá a sensação de aprisionamento ao status quo à qual vive ou vivia Chela.

É apenas um pano de fundo, mas no campo político e social, a sensação que fica é “o que é o Paraguai hoje?” justamente porque a câmera não mostra e são poucos os filmes paraguaios que chegam às telas do Brasil. O filme parece ser rodado sob a sombra de um país pós-destituição do ex-presidente Fernando Lugo em 2012. Em fevereiro, quando o longa foi apresentado no 68º Festival de Berlim, o diretor Marcelo Martinessi disse que o filme reflete a obscuridade em que o país vive. “Ninguém sabe o que acontece por lá”, ressaltou.

As Herdeiras é coprodução entre o Uruguai, França, Alemanha e Brasil, entre outros países porque o Paraguai não tem leis de incentivo ao cinema, conforme o cineasta. O longa está em cartaz no Guion, Itaú Cinemas e GNC Moinhos.