A Cidade dos Piratas: o filme mais pirado de Otto Guerra

Produção foi exibida durante Mostra Competitiva do Festival de Cinema de Gramado

Foto: Divulgação

O fechamento da Mostra Competitiva do Festival de Cinema de Gramado foi coroado com o longa anárquico A Cidade dos Piratas. O filme mistura a trajetória da Laerte e a própria história do cineasta Otto Guerra em tons quentes em nível exacerbado de exagero. É ainda uma animação que mescla documentário e ficção com tom forte de crítica social e política.

A proposta inicial do longa tinha como mote as tirinhas “Piratas do Tietê”, da cartunista Laerte, criado nos anos 1980. Porém, a desenhista decidiu que não gostaria de manter o projeto por considerar o antigo personagem machista. Com esse revés, o filme apresenta as dificuldades em fazer um roteiro, não à toa, Guerra disse em várias entrevistas que “até agora não sei do que se trata esse filme”.

Durante a produção do filme, toda a equipe se demitiu e o cineasta descobriu um câncer. Esses elementos não são omitidos no longa e são tratados quase como piada.

Paralelamente, o filme faz um retrato da transformação da Laerte em crossdressing a partir de sua descoberta como uma pessoa que não estava encaixada em determinado papel social, e também o retrato de um político que tem sonhos incessantes com genitálias sexuais masculinas. Ou seja, é um retrato do medo em se descobrir homossexual.

“Aquilo tudo é caricatura porque na realidade somos muitos piores”, disse Guerra, arrancando risadas dos jornalistas e espectadores que acompanharam coletiva de imprensa, neste sábado, com a equipe do filme. De fato é um melánge doido, mas muito bom.
em meio às loucuras da trama, Marcos Contreras, Matheus Nachtergaele e Marco Ricca compõem o elenco de narração do filme.

O animador foi homenageado no Festival de Cinema de Gramado do ano passado com o troféu Eduardo Abelin pela sua carreira. “A Cidade dos Piratas” ainda não tem data de lançamento nos cinemas brasileiros.