Violeta al fin: um soco na cara da especulação

O longa Violeta Al Fin, produção México-Costa Rica, é um filme tocante sobre legado e história pessoal. Na película, a atriz Eugenia Chaverri é Violeta, uma mulher próxima dos 80 anos, que se separa depois de 45 anos de casamento e decide que tem muito a viver tendo como principal preocupação ela mesma. Mais do que a si própria, a casa da sua infância, também tem muito tempo de vida pela frente.

Um casarão que mais parece um oásis no meio da cidade de San José, na Costa Rica, com seus jardins em meio aos edifícios de apartamentos cada vez menores. Em dificuldades financeiras, ela resolve alugar os quartos vazios para poder fazer trabalhos de conservação no casarão. Se as maçanetas das portas começam a quebrar, a rede elétrica da edificação também é um problema, ou seja, falta dinheiro para a manutenção. Paralelamente, ela enfrenta a pressão dos filhos para vendê-la. O longa faz um paralelo com brasileiro Aquarius, do diretor Kléber Mendonça, em que a protagonista Sonia Braga também defende seu apartamento da especulação imobiliária feroz.

Por outro lado, o ex-marido se torna outro problema e aqui vemos o quão necessário é estar ciente da situação financeira da família. Ao mesmo tempo, entre os três homens presentes na vida de Violeta, o ex-companheiro, o filho e o professor de natação, esse último é um alívio por conta da amizade entre diferentes gerações.

“Entendo que em alguns momentos é mais fácil conversar e ser entendido pelos amigos do que pelos filhos. A relação da Violeta com o professor de natação, que acaba por se tornar um amigo, é essencial. Já quanto aos filhos, em algum momento, eles pensam que o peso dos pais vai cair sobre eles e vender uma casa daquele tamanho, com aquele jardim, em um momento de dificuldades financeiras, seria mais fácil. Ela nem pensa nisso, mas quer somente defender o seu patrimônio”, sustenta a atriz Eugenia Chaverri.

Quanto ao marido, a atriz destaca que é difícil para as mulheres terem de decidir entre o desenvolvimento pessoal e a carreira e a família. No caso das aulas de natação, por exemplo, a protagonista deixa claro que somente conseguiu nadar após a saída de casa dos filhos já que sempre quis fazer o esporte, mas não tinha tempo. Na vida real, a atriz disse que teve uma relação semelhante com o piano. Após anos sem tocar, voltou a se dedicar à música.

A produtora da película, Laura Imperiale, destaca que o filme também é um resgate da cidade de São José. “Fizemos um grande esforço para encontrar essa casa. Na Costa Rica, as cidades históricas são constantemente destruídas. A casa da Violeta é tratada como o país  e simboliza a necessidade de defender seu legado”, considera.

O filme foi lançado ano passado na Costa Rica, em dez salas, com boa aceitação do público. No México, também houve exibição em poucas salas. Não há data definida para a chegada do filmes nas salas do Brasil.