Jungmann: caso Marielle é complexo porque envolve “agentes de Estado”

Em seguida, ministro acrescentou que não se pode apressar as investigações

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, instala grupo de trabalho criado pelo ministério em parceria com a CNA para debater e sugerir soluções conjuntas de combate à criminalidade no campo.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou hoje que há uma “complexidade” em torno da morte da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e do motorista dela, Anderson Pedro Gomes, porque o caso “envolve agentes de Estado”. Quase cinco meses após os assassinatos e com as investigações em curso, Jungmann pediu paciência para as apurações. Questionado pelos jornalistas sobre o andamento do trabalho policial, o ministro participou, em Brasília, da assinatura de uma parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Apesar das dificuldades, Jungmann disse estar confiante na punição dos responsáveis pelas mortes. “Você tem a necessidade de estabelecer a autoria, digamos assim, intelectual [do crime], obter e coligir provas pra isso. Então essa é a dificuldade que se tem. Já foram citados políticos, já foram citados membros de milícias e agente públicos também. Apenas o que dificulta é a necessidade de você fazer a comprovação de tudo isso. Mas vai chegar a hora da justiça e eu tenho certeza que nós vamos punir os responsáveis pela morte da Marielle.”

Investigações
Em seguida, Jungmann acrescentou que não se pode apressar as investigações: “Eles têm que produzir provas e essas provas têm que ser substantivas. Elas têm que passar pelo teste de verificação da promotoria, de advogados, do Ministério Público e do próprio juiz.”

Marielle e Anderson foram mortos a tiros na noite de 14 de março, no centro do Rio de Janeiro dentro de um carro em deslocamento. No próximo sábado, a morte de Marielle Franco completa 150 dias.

Ao deixar um depoimento, na segunda-feira, a arquiteta Mônica Benício, viúva da vereadora, também falou sobre a necessidade de tempo para que o caso não seja concluído com “qualquer solução”. Mônica define o crime como “político e de poder”.

Ela pediu proteção às Nações Unidas e disse que teme pela própria vida, após sofrer ameaças virtuais e pessoais.