Prefeitura da Capital garante não ter sido consultada sobre ação no viaduto da Borges

De acordo com o secretário da Saúde, medida teve caráter policial, sem relação com o que vem sendo feito pela administração municipal

Patrimônio histórico do RS, viaduto Otávio Rocha sofre com vandalismos. Foto: Alina Souza/CP

A Prefeitura de Porto Alegre garante não ter sido informada a respeito da ação realizada pela Brigada Militar, no início desta quinta-feira, no viaduto da Borges de Medeiros, no centro da Capital. Conforme o secretário da Saúde e coordenador do Plano Municipal de Superação da Situação de Rua, Erno Harzheim, a ação teve caráter policial, sem relação com medidas sociais realizadas pela administração municipal.

“Não fomos comunicados do plano da Brigada Militar e acho que, por se tratar de uma ação de segurança, nem deveríamos ser avisados porque não se trata de uma reintegração de posse em que os órgãos municipais de apoio, como a Fasc, a Saúde, o Conselho Tutelar são comunicados e participam da ação. Nesse caso, ficamos sabendo quando já tinha acontecido”, sustenta Harzheim.

Segundo o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Rodrigo Mohr Picon, que concedeu entrevista ao Correio do Povo, há mais de duas semanas vêm sendo feitas ações contínuas na região. “Não podíamos deixar se criar uma cracolândia no centro de Porto Alegre. Ali não havia mais moradores de rua, mas ladrões, traficantes e usuários de drogas”, afirmou. A de hoje envolveu a revista de pessoas no local e teve apoio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), que recolheu as barracas no passeio do viaduto.

Segundo o secretário da Saúde, o DMLU é solicitado pelas forças policiais, mas não é necessariamente informado sobre detalhes de cada ação. Harzheim reiterou que, por norma, para a retirada de moradores em situação de rua do local, envolve o acionamento do Município para o encaminhamento das pessoas a abrigos da rede pública.

Coincidência ou não, no próximo final de semana, food trucks vão ser instalados junto ao meio-fio da Borges de Medeiros, na subida do viaduto da Borges. De seis a dez veículos serão colocados na área durante o sábado e domingo, das 9h30 às 21h, em caráter experimental.