50 são os novos 30: a crise dos cinquenta com humor

Marie-Francine tem que se reinventar após se separar, ficar sem trabalho e ter de retornar para a casa dos pais

Marie-Francine com os pais. Atores dão graça ao conflito com a volta dela para casa. Foto: Divulgação

A preocupação quanto ao momento certo de sair da casa dos pais surge, em geral, na adolescência ou início da idade adulta. Seja pelo desejo de ter autonomia e liberdade, começar um relacionamento afetivo ou se mudar de cidade para estudar, as razões são diversas e fazem parte da vida de todo mundo. Por outro lado, muitos jovens e adultos optam por permanecer mais tempo vivendo com a família.

E quando surge a necessidade do movimento reverso? Ter que voltar para a casa dos pais será um certificado de fracasso individual? Depende da perspectiva de cada um e quais são os motivos que impulsionam esse retorno. Além disso, lidar com a situação como definitiva ou provisória também faz diferença. O longa-metragem 50 São os Novos 30, de Valérie Lemercier, trata da crise dos 50 anos e das oportunidades de recomeço.

No filme, Marie-Francine (Valérie Lemercier) é abandonada pelo marido, perde o emprego e se vê obrigada a voltar a viver com os pais e a trabalhar numa loja de cigarros eletrônicos. Parece o fundo do poço para uma pesquisadora em genética, casada e mãe de duas filhas? Sim, parece. Porém, as cenas são apresentadas com humor e a tragédia repentina de Marie-Francine ganha ares de leveza quando ela conhece Miguel (Patrick Timsit), um cozinheiro que está vivendo situação semelhante.

A comédia dramática acaba por se transformar em uma comédia romântica quando a personagem principal se sente novamente adolescente ao visualizar a possibilidade de viver um novo amor depois que tudo parece tão consolidado na vida (maturidade, emprego, casa, família).

Ao mesmo tempo, as cobranças dos pais, como se eles estivessem diante de uma jovem filha no ambiente doméstico, dão o tom mais engraçado para o longa. Impossível não se identificar seja no papel de filha/o, seja no papel de pai ou mãe. Aliás, a construção dos personagens secundários também é um mérito do filme. Claro, há clichês como os franceses (as) e suas/seus amantes, o esperado arrependido após a infidelidade, entre outros. Bom, difícil imaginar um longa do tipo sem esse tipo de trama, né?!

“50 São os Novos 30” é uma história leve, para ser saboreada, já que é falada em francês, e não pretende passar uma mensagem edificante. Puro entretenimento, mas também pode ser um empurrãozinho para o despertar individual a fim de aproveitar melhor cada etapa, independentemente da idade, do trabalho e dos fins que a vida sempre traz.

O longa está em exibição no Guion Center Cinema.