Juíza pede que júri popular do caso Bernardo ocorra em Porto Alegre

Pedido salienta que é necessário garantir o interesse da ordem pública, a imparcialidade do corpo de jurados e a segurança pessoal dos réus

Pai de Bernardo, Leandro Boldrini é um dos quatro acusados pelo assassinato do menino. Foto: André Ávila / CP Memória

A juíza Sucliene Engler Werle, titular da Vara Judicial da Comarca de Três Passos, solicitou hoje autorização para que o julgamento dos quatro réus que respondem pelo homicídio de Bernardo Uglione Boldrini ocorra em Porto Alegre. O pedido vai ser analisado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro.

Bernardo Boldrini, na época com 11 anos, desapareceu em 4 de abril de 2014, no Norte gaúcho. Ele teve o corpo encontrado dez dias depois, dentro de um saco plástico e enterrado em uma cova vertical, às margens de um rio em Frederico Westphalen, na mesma região.

A comoção em torno do caso explica o pedido de transferência do local de julgamento, conforme a juíza. A medida é necessária para garantir o interesse da ordem pública, a imparcialidade do júri e a segurança pessoal dos réus.

No pedido ao presidente do TJ, ela cita que a casa onde Bernardo vivia segue sob vigília, com fotos, flores, cartazes e dizeres referentes à morte do menino. Ela também menciona que, quando os réus são levados a Três Passos para algum ato processual, trafega pela cidade um carro de som, em alto volume, reproduzindo a voz do menino gritando por socorro.

Para a juíza, não há como identificar se algum dos possíveis jurados, que vão ser sorteados, não participou de manifestações ou se pronunciou em redes sociais sobre o caso, o que causa a dúvida sobre a imparcialidade do júri.

Além disso, a magistrada lembrou que a estrutura do Foro de Três Passos é modesta para comportar um júri de grande proporção. Ela citou, por exemplo, o Salão do Júri, que comporta 50 pessoas sentadas, no máximo.

Depois de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou recurso do pai do menino, Leandro Boldrini, os autos do processo retornaram a Três Passos, para a definição do júri popular. As defesas apresentaram pedidos de diligências e, ao todo, 28 testemunhas devem ser ouvidas no dia do julgamento.

Além de Boldrini, que responde pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, o processo derivado da morte de Bernado envolve a madrasta dele, Graciele Ugulini, acusada de homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz, ambos processados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.