Campanha da gripe termina com sobra de mais de 1 milhão de doses no RS

Falta de percepção do risco diminuiu adesão, considera secretário. Postos seguem imunizando até o fim dos estoques

Foto: Guilherme Almeida/CP

Com o fim da campanha de vacinação contra a gripe em todo o País, nesta sexta, mais de um milhão de doses sobraram nos postos de saúde de todo o Rio Grande do Sul. Dessa forma, a Secretaria Estadual da Saúde liberou a imunização para o público em geral até o fim dos estoques. Dados do Ministério da Saúde dão conta de que somente 80% da população-alvo se imunizou em 2018, enquanto a meta era de 90% ou mais.

As vacinas foram distribuídas ainda em abril nas unidades básicas de saúde. No momento, não é possível quantificar quais locais ainda dispõem de doses, mas a Pasta garante que todas as cidades seguem vacinando. O Estado recebeu 4,2 milhões de doses, enquanto pouco mais de 3,1 milhões pessoas se imunizaram.

O titular da Saúde elenca razões para que a população minimize a necessidade de imunização contra o Influenza. A mais grave delas é a profusão de informações falsas nas redes sociais a respeito das vacinas para diversos tipos de doença, incluindo a gripe.

“No ano em que houve um grande número de óbitos (em 2009, ano do surto, 298 pessoas morreram), tivemos uma grande faixa da população coberta pela vacina, então aumentou o número de resistentes, tirando da percepção imediata das pessoas o fator gravidade. Além disso, há um problema sério com as fake news em relação à vacina: são grupos negando a importância dela. Além disso, o inverno passado não foi rigoroso e possibilitou menor chance de infecção. A população fica menos preocupada”, enfatizou Francisco Paz.

Entre as populações-alvo, as crianças registraram o menor índice de imunização. Em todo o Rio Grande do Sul, somente 61% receberam a dose. De acordo com o secretário, somente a meta dos idosos foi plenamente alcançada: 91% das pessoas com 64 anos ou mais se vacinaram.

As doses foram liberadas para todos, mas o critério de priorização dos grupos de risco permanece vigente. Em Porto Alegre, crianças e gestantes são os grupos com as menores coberturas vacinais – pouco mais de 50%.

A Secretaria Municipal de Saúde mantém o atendimento em todas as salas de vacina da rede, de acordo com o funcionamento das unidades, sempre de segunda a sexta-feira. Nas unidades de saúde, o atendimento vai das 8h às 17h; nas unidades São Carlos e Tristeza e no Centro de Saúde Modelo, das 8h às 22h. Na Clínica de Saúde da Família da Restinga, das 8h às 20h.

Neste ano, quatro mortes foram registradas em decorrência da gripe no Rio Grande do Sul. Ao todo, 80 casos foram contabilizados até o momento.