Clínicas justifica, mas não convence Escola Técnica sobre saída

Professores e alunos protestaram, nesta semana, contra remoção de instituição da área do Hospital

A reforma do Hospital de Clínicas pode ser um consenso quanto à necessidade de ampliação de serviços de internação, emergência e cuidados especiais, mas repercute mal ao prever a retirada da Escola Técnica de Saúde, mantida pelo governo estadual, de um prédio localizado no terreno da instituição.

Conforme o diretor administrativo do Clínicas, Jorge Bajerski, a necessidade de realocação da escola não é uma novidade. Ele admite, porém, que foram implementadas mudanças no projeto. “A maquete foi feita em 2012, muitas coisas mudaram de lá para cá. Houve novas exigências da EPTC, com adequações de trânsito na Protásio Alves, Ramiro Barcelos e saída de ambulâncias com dimensão alargada na rua São Manoel, afetando o prédio da Escola”, disse em entrevista ao Guaíba News desta quarta-feira.

Já a diretora da Escola Técnica Saúde, Rita Mombelli, critica a proposta de remoção de uma instituição que forma profissionais para o atendimento em saúde, com foco no atendimento SUS. “Realmente precisamos sair do local para ampliação de leitos ou é apenas uma questão estética? O governo estadual simplesmente não contestou em nada ao entregar um prédio que é público”, lamenta.

Mais de 1,1 mil alunos compõem 42 turmas de radiologia, nutrição e dietética, análises clínicas e gerência em saúde. A diretora sustenta que o ensino técnico em saúde está umbilicalmente relacionado ao hospital e que a transferência vai prejudicar o aprendizado. “Como aliar prática e teoria sem acesso a equipamentos e laboratórios hospitalares?”, questiona Rita.

Professores e alunos da Escola Técnica Estadual de Saúde protestaram, nesta semana, contra a remoção da instituição da área.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que o ano letivo de 2019 da Escola Técnica já vai se iniciar em um novo local. A alternativa, que é criticada pelos atuais alunos e professores, prevê que ela funcione dentro do Colégio Júlio de Castilhos (Julinho). Conforme a Seduc, o assunto vem sendo debatido há dois anos.

MPC vai analisar o caso

Hoje, o procurador do Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul, Geraldo da Camino, recebeu o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputado estadual Altemir Tortelli, e uma comitiva da Escola Técnica de Saúde. Da Camino confirmou que vai instaurar expediente para analisar o caso. A diretora Rita Mombelli confirmou que o Colégio Julinho não oferece espaço e nem estrutura para o funcionamento dos quatro laboratórios e de todas as turmas da escola.