Investigado falta a depoimento no dia em que morte de Marielle completa três meses

Em depoimento de sete horas, suplente do PHS garantiu que não conhecia vereadora

Foto: Arquivo/Guilherme Cunha/Alerj

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE/RJ) Domingos Brazão não compareceu ao depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, na Barra da Tijuca, na tarde desta quinta-feira. Segundo o delegado Giniton Lages, que investiga as mortes da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes, Brazão alegou ter prerrogativa de cargo para escolher a data para depor.

Quem compareceu ao depoimento foi o suplente do vereador Marcelo Siciliano (PHS), Marcelo Piuí. Os policiais querem saber se ele e Brazão tiveram alguma influência no depoimento prestado por um delator, que apontou o envolvimento de Siciliano e do ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, nos assassinatos de Marielle e Anderson, que completaram três meses hoje.

Piuí chegou às 15h50min e falou com os jornalistas na porta da DH. Ele se disse surpreso por ter sido convocado e sustentou que nunca havia ouvido falar em Marielle, emendando que mantinha apenas uma relação política “cordial” com Siciliano.

Sobre Brazão, Piuí admitiu que o conhecia, mas que não tinha proximidade de amizade com o conselheiro afastado do TCE e ex-deputado estadual. “Quem não conhece ele em Jacarepaguá? Quem falar que não conhece, está mentindo. Todos os políticos se conhecem. Relação cordial política. Só em inaugurações”, disse.

Perguntado se pode ser considerado suspeito no caso Marielle, o suplente de vereador negou enfaticamente. “Nem uma maneira, de jeito nenhum. [Não tem a] menor chance”.

Embora tenha alegado surpresa e dito que sequer conhecia Marielle, Piuí só deixou a DH às 20h30min, sete horas depois de chegar. A defesa de Brazão foi procurada, mas não atendeu aos telefonemas da reportagem.