O SACRIPANTA

"Este jornal vai ser feito para toda a massa, não para determinados indivíduos de uma facção". Foto: Arquivo CP

Pois é “indiada macanuda do meu pago varonil”, eu tenho “ojeriza” de gente que “mete a catana” (isto é, falar mal de alguém). Mas tá difícil achar um vivente para arrumar as calhas lá de casa… Outro dia me apareceu um “cuera” mais lerdo que mula guacha. Numa madorna que só vendo para ajustar as “cosa” e fazer o serviço.
E eu na volta do indivíduo, bem alerteada, chuchurreando meu chimarrão e não perdendo de vista o talzinho que era meio metido, chucro como redomão e cheio das xurumelas querendo me enrolar como se eu fosse um boa noite e chorando as pitangas pelo chircal:  hay que tener cuidado com esse tipos. Inda mais indivíduo de armada grande e muita rodilha.
O “causo” é que o cuera não entendia era nada do riscado, mas como a “percisão” era grande, se meteu a facão sem cabo e foi fazer o serviço que não tinha entendimento.
E foi retalhando calha como quem corta cana num canavial… e foi pregando prego “a lo loco”, tipo bicho, e nem medida tinha, tudo feito a olho e na adivinhação. Não poderia dar resultado pior no que deu.
Quando olhei “os finalmente” me deu um coraçonazo, quase que me caí dura e seca como quem se fina. E ainda tive de rapar a guaiaca com os cobres contados para pagar o desinfeliz. Mas o meu santo é forte e não me deixa esperando.
Logo o sacripanta burlequeador pegou um serviço lá pro lado da Reforma no Itapuã… como sempre caloteando, levando na conversa as pessoas, porém, desta vez, se topou com o pau da carpa.
Pediu adiantamento do soldo e se bandeou por duas semanas pras bandas de Santa Catarina, de onde foi parido o mal nascido. Mas quando voltou, o que era dele estava guardado, só esperando. Vai daí que armou-se o tempo e o rolo!
O seu Rozendo, que lhe tinha contratado o serviço, andava como cachorro que comeu toicinho e já meio atravessado das guampas, se armou de um relho trançado e um trinta e oito de boca bem entupida abriu a cancela escancarando a porteira e recebeu o mentiroso e safado a “relhaço” no lombo que lhe atorou a camisa de flanela e arrancou um dos”bolso” de trás da bombacha e despejou-lhe uma turumbamba de bala que o “ordináriozinho” foi parar só lá na divisa do Rio Grande com Santa Catarina.
Deixou pra trás toda a mudança, e a casa onde morava logo abaixo do bolicho do Anacleto.
Nem rastro deixou!
Cachorro comedor de ovelha só matando… e homem sem palavra amanhece com a boca tapada de formiga. Bem feito! E tenho dito!