1º de Maio: governo gaúcho comemora números de emprego no RS; Dieese critica

Economista ressalta que crise de empregabilidade persiste no RS, atingindo, sobretudo, as mulheres

Falta emprego para 27,7 milhões de brasileiros. Foto: Vinicius Roratto / CP Memória

Em alusão ao feriado do Dia do Trabalhador, o governo estadual publicou matéria, nesta terça-feira, comemorando os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Conforme o levantamento, o Rio Grande do Sul é o terceiro estado que mais criou vagas de trabalho formal em março. Foram 12,6 mil novos postos – o melhor resultado registrado para o período desde o final de 2014. Os dados foram divulgados na sexta passada.

Em 2017, foram efetuados 203.447 novos cadastros de trabalhadores em todo o Rio Grande do Sul.  A procura por emprego nas Agências FGTAS/Sine foi maior entre os jovens: 35,57% dos novos cadastrados tinham entre 18 e 24 anos. Cinco anos antes, esse público correspondia a 17% do contingente.

Já o dado mais recente do IBGE mostra que o Rio Grande do Sul ainda soma 486 mil pessoas desempregadas, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referente ao fechamento de 2017. O número é 3% menor que o registrado em 2016, atingindo mais as mulheres. Conforme a economista do Dieese, Lúcia Garcia, não há nada a comemorar neste 1º de maio.

“A ocupação de postos de trabalho variou 0,4% em cima de um patamar já bastante baixo. Geramos postos de trabalho, mas houve avanços somente em ramos industriais como borracha, fumo e produtos químicos. No comércio, a retração é muito forte e nos serviços, houve crescimento somente nas áreas imobiliárias, médicas e veterinárias. Lamentável que o Estado fique comemorando esse tipo de pesquisa porque não mostra a realidade do engajamento produtivo, muitas vezes com salários muito baixos”, sustenta.

A economista ressalta, ainda, que os efeitos da crise econômica de 2014 não foram superados e que as mulheres perdem mais postos de trabalho com a persistência do cenário de retração. Empregos que eram ocupados por mulheres passaram a ser retomados pelos homens. “Um exemplo é o Polo Naval de Rio Grande depois da crise. Funções que mulheres assumiram, como táxis e pequenos negócios, voltam a ser ocupadas por homens quando a retração econômica é persistente”.

A última pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), da extinta Fundação de Economia e Estatística (FEE), mostrou que a taxa de desemprego total apresentou relativa estabilidade entre fevereiro e março de 2018, passando de 11,7% para 11,8% da População Economicamente Ativa (PEA). O número total de desempregados em março permaneceu estável, em 219 mil pessoas.