Seis pessoas estariam envolvidas em desvios de pelo menos R$ 60 mil no Demhab

Operação cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Demhab e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Foto: Alina Souza/CP

Operação cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Demhab e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Foto: Alina Souza/CP
Operação cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Demhab e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Foto: Alina Souza/CP

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira, operação para combater crimes contra a Administração Pública no Departamento Municipal de Habitação (Demhab). A ofensiva, chamada de Casa Nostra, investiga irregularidades envolvendo a negociação de unidades habitacionais. Servidores públicos e terceiros estariam envolvidos nas ilegalidades. Os policiais civis realizaram buscas na sede do Demhab e na Câmara Municipal de Porto Alegre. A Operação Casa Nostra investiga a suspeita de que gestores e servidores do Demhab tenham desviado valores pagos por pessoas que adquiriram imóveis em projetos habitacionais.
São investigados um ex-coordenador de crédito imobiliário da autarquia e a mulher dele, um ex-diretor-adjunto do Demhab, dois servidores, entre eles, uma aposentada, e um corretor de imóveis. Os nomes dos investigados não foram divulgados pela Polícia. Os crimes investigados são peculato, prevaricação e associação criminosa.
Os acusados estariam envolvidos em desvio de dinheiro que deveriam ingressar no caixa do Demhab para contas próprias ou de terceiros. A Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária (Deat), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), investiga a fraude desde julho de 2017, quando tomou conhecimento das irregularidades envolvendo negociação de unidades habitacionais.
Dos R$ 70 mil recebidos com a venda de um imóvel popular no bairro Jardim Leopoldina, apenas R$ 20 mil foram repassados ao Demhab. Os R$ 50 mil restantes foram transferidos para a conta da mulher do, até então, coordenador de Crédito Imobiliário do Demhab. Ele recentemente trabalhou na Câmara de Vereadores, onde foram realizadas buscas.

Em outro caso já apurado pela Polícia, uma servidora do Dehmab recebeu certa quantia em dinheiro para abater no saldo devedor de um imóvel. No entanto, o valor não foi abatido. Ela também teria recebido R$ 8 mil de uma outra negociação, mas não repassou ao Demhab. O delegado Max Otto Ritter revelou que, com a quebra de sigilo bancário, comprovou que o dinheiro foi desviado para contas dos acusados. As investigações prosseguem, já que Ritter quer, agora, encontrar documentos que possam subsidiar novas diligências. “Estamos apurando se há outras vítimas”, frisou.

Por meio de nota oficial, a prefeitura informou que a atual gestão do município e do Demhab não aceita qualquer tipo de irregularidade na administração pública. “Todas as informações que embasam as investigações foram repassados aos órgãos de investigação com nossa inteira colaboração. E continuaremos colaborando com toda investigação de qualquer ato que possa parecer irregular em qualquer setor da administração pública municipal”, diz a nota. Os fatos investigados não ocorreram na atual gestão, mas entre 2015 e 2016.