Secretário da Fazenda de Porto Alegre mantém posição de não financiar o Carnaval

Após o cancelamento dos desfiles das escolas de samba em Porto Alegre, apresentações que ocorreriam nos dias 23 e 24 de março, a Secretaria Municipal da Fazenda informou que não haverá financiamento por parte da Prefeitura do Carnaval na Capital. O titular da Pasta, Leonardo Busatto, disse que reuniões internas serão realizadas para debater o tema, assim como será avaliada a possibilidade de buscar um parceiro ou patrocínio privado, mas dos cofres públicos nada sairá para o evento festivo.
“Enquanto houver pessoas nos postos de saúde aguardando atendimento, crianças aguardando vagas em creches, buracos nas ruas e capina a ser feita, obviamente essas serão as prioridades do governo. Vamos conversar internamente sobre o assunto, mas não podemos financiar o Carnaval quando existem todas essa prioridades”, sustenta.
Em dezembro foi aprovado projeto de lei do Executivo que permite às entidades carnavalescas utilizarem o Complexo Cultural do Porto Seco nos próximos dois carnavais. A proposta também prevê processo licitatório para contratação de Parceria Público-Privada (PPP) para gerenciar e erguer estruturas fixas no sambódromo.
Assim, as escolas de samba se responsabilizaram em gerir o Carnaval sem o auxílio da Prefeitura. O presidente da Ligas das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa), Juarez Gutierrez, disse que não foi possível reunir o número mínimo de patrocinadores para cobrir os custos dos desfiles.
O vereador João Bosco Vaz (PDT) reclamou que o prefeito Nelson Marchezan Júnior vetou do orçamento para 2018 emenda dele que previa destinação de R$ 1 milhão provenientes do Fundo de Contingenciamento do Município para a instalação das estruturas temporárias. “Se alega que não há dinheiro e se nega a ajudar as maiores manifestações populares. Nestes últimos finais de semana, os blocos tiveram que pagar pelos banheiros químicos, por exemplo. Não deveria ser assim, as pessoas pagam impostos”.
Assim que assumiu, o prefeito Marchezan cortou o investimento no evento justificando falta de recursos. No edição de 2016, a prefeitura destinou R$ 2 milhões no fomento às escolas de samba. Mais R$ 4 milhões foram gastos na montagem de estruturas temporárias e elaboração do PPCI.