Governo é derrotado em sessões extraordinárias

Após três sessões extraordinárias na Assembleia Legislativa, a sensação de governistas é de tempo perdido. Longos debates foram realizadas na tribuna, mas nenhum dos quatro projetos do Executivo foi colocado em votação. O governo amarga derrota política enquanto a oposição comemora vitória ao ter esgotado o tempo das sessões através de discursos.
A partir de agora, o governo vai apostar todas as fichas na sessão plenária da próxima terça quando estará encerrado o recesso parlamentar e projeto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal tem prazo de urgência vencido. Expectativa é de que o debate seja longo e até mesmo atravesse a madrugada. O líder do governo na Assembleia, Gabriel Souza chegou a acusar o presidente de partidarismo, desrespeito ao regimento e alteração da pauta de forma deliberada.
Souza ressaltou após pronunciamento do governador que a postura do deputado Edegar Pretto, presidente da Casa, pode ter comprometido o acordo de cavalheiros em relação ao revezamento das maiores bancadas da Assembleia na presidência. Conforme o regimento, a cada legislatura dois partidos teriam de comandar o Legislativo, mas com o revezamento quatro bancadas passam pela chefia do Parlamento. “Foi um grande presidente até ontem. Ontem fez algo que macula sua gestão e compromete a volta do Partido dos Trabalhadores para a presidência da Assembleia”.
O presidente da Assembleia, Edegar Pretto (PT), disse que não assume a responsabilidade “pelo fracasso dessa convocação extraordinária”. Voltou a afirmar que a Assembleia segue regras objetivas e que “não há possibilidade de manobras políticas”. “Me admira a acusação do parlamentar. Logo ele que a todo momento fala em regimento da Casa”, ressalta.
A deputada Stela Farias (PT) disse que a derrota do governo é um reflexo da má qualidade das propostas do Executivo para o Estado. “Conseguimos ao longo desses três dias aproveitarmos para traduzir o que significa o malefício do Regime de Recuperação Fiscal e a privatização de estatais para o futuro do Rio Grande”.
Conforme governistas, foi a primeira vez em 180 anos de Assembleia Legislativa que nenhum projeto foi votado em convocação de sessão extraordinária pelo governador.