A dez dias do prazo, universidades gaúchas ainda debatem adesão ao Fies

Após o anúncio de mudanças em regras do Financiamento Estudantil (Fies), as universidades gaúchas ainda debatem a possibilidade de adesão ou não ao programa do governo federal em 2018. O prazo de contratação pelas instituições de ensino superior termina em dez dias.
Algumas universidades vão se reunir na quinta-feira para debater o tema. O principal entrave relacionado à adesão reside no fato de que, pelas regras novas, o governo federal deixa de ser o garantidor de pagamento aos bancos das mensalidades em atraso. Com isso, as universidades devem ser as fiadoras, além de abrir mão de 40% do valor original da mensalidade.
Dados do Ministério da Educação (MEC) dão conta que 80% das instituições particulares de ensino superior em todo o País ainda não aderiram ao programa. O Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS) orienta que as gaúchas não façam a adesão. Conforme o presidente da entidade, Bruno Eizerik, as novas regras tornaram a atividade inviável.
“O governo federal faz propaganda do Fies na TV, mas quer financiar o programa às custas das universidades sem dar contrapartida. O governo quer que as instituições de ensino financiem o crescimento do país, o que é um desvirtuamento total. É uma pena que um programa tão importante esteja sendo destruído”, sustenta.
No caso do Rio Grande do Sul, as taxas de juros para o programa ainda não foram divulgadas pelo governo. Nesse caso, os próprios bancos ainda não confirmaram se vão aderir, segundo o dirigente. Ele também questiona o porquê de o programa oferecer taxas de juro zero apenas para alunos do Norte e do Nordeste. Nas edições anteriores, a taxa de juros eram de 6,5% ao ano, em todo o País.
As universidades que foram consultadas pela reportagem responderam que ainda estão avaliando as condições do programa. A PUCRS informou que vai definir ingresso no Fies após participação do encontro com universidades comunitárias, nesta quinta. No segundo semestre de 2017, a PUC tinha 1.376 estudantes beneficiados pelo Fies.
Na Ulbra, a adesão ainda não foi definida, mas os alunos que já tinham o financiamento poderão fazer a renovação do contrato. Cerca de três mil estudantes estudaram com apoio do financiamento estudantil em 2017 na instituição. A Fadergs, Uniritter e ESPM ainda não responderam. A Unisinos também não definiu se manterá vagas oferecidas pelo Fies.